29/05/2026
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Palermo terá 20 dias de isolamento total em presídio federal

O narcotraficante Gerson Palermo, de 68 anos, foi internado no Regime Disciplinar Diferenciado (RDD) da Penitenciária Federal de Campo Grande às 10h30 desta quinta-feira (28). Ele passará 20 dias em isolamento total na chamada “cela de inclusão”, um espaço usado para a triagem de presos recém-chegados.

Palermo estava foragido há seis anos e vivia em um povoado na Bolívia sob o disfarce de fazendeiro. Ele foi capturado em território boliviano durante uma operação conjunta da Polícia Federal brasileira e da Força Especial de Luta Contra o Narcotráfico (FELCN) da Bolívia. O criminoso desembarcou em Mato Grosso do Sul na noite de quarta-feira (27).

Após passar a noite na Superintendência da PF em Campo Grande, ele foi levado ao Fórum da Capital para uma audiência de custódia. Depois, ingressou no presídio federal. Segundo um policial penal federal, o período de triagem é de 20 dias, durante o qual o detento realiza cadastro e passa por avaliações médicas, psicológicas e jurídicas.

Durante o isolamento, Palermo ficará em uma cela de 14 metros quadrados, sem contato com outros internos. A estrutura é planejada para impedir fugas, com cama, banco e prateleiras moldados em concreto. Após a “quarentena”, ele poderá ser transferido para outra ala, onde as celas são menores, mas os presos podem conviver durante o banho de sol.

No RDD, as visitas familiares ocorrem a cada 15 dias, com duração máxima de duas horas e limite de dois visitantes adultos. O encontro é feito em parlatório, separado por vidro blindado, sem contato físico. Não há acesso a televisão, rádio ou celular. O regime pode durar até dois anos e ser renovado judicialmente.

Palermo acumula aproximadamente 126 anos em condenações por tráfico internacional de drogas, roubos e sequestros. O crime mais conhecido ocorreu em agosto de 2000, quando ele liderou o sequestro de um Boeing 727 da Vasp na rota Foz do Iguaçu-Curitiba. Homens armados roubaram cerca de R$ 5,5 milhões em malotes do Banco do Banco do Brasil.

Após o sequestro, Palermo passou a atuar no tráfico internacional de cocaína. Em 2017, foi alvo da Operação All In, da Polícia Federal. Em 2020, ele deixou o presídio federal após conseguir prisão domiciliar concedida pelo desembargador Divoncir Schreiner Maran, que depois foi investigado sob suspeita de venda de sentença. Palermo rompeu a tornozeleira eletrônica e desapareceu.

Menos de 24 horas após chegar ao Brasil, Palermo foi interrogado por videoconferência em uma ação que o acusa de ser o mandante do sequestro da própria filha, em outubro do ano passado. A investigação da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul aponta que a jovem foi atraída por uma ligação do pai e mantida em cárcere. Durante o depoimento, ele negou envolvimento no caso.