Benedito apresentou o Pantanal ao Brasil, diz Cristiana Oliveira

A morte de Benedito Ruy Barbosa fez a atriz Cristiana Oliveira revisitar uma história que começou há 36 anos, quando deu vida à primeira Juma Marruá. Em entrevista ao Campo Grande News nesta terça-feira (7), a atriz afirma que, além da personagem que transformou sua carreira, o autor lhe deixou outro presente: o Pantanal. Desde então, ela nunca mais rompeu os laços com Mato Grosso do Sul e hoje é uma das defensoras do bioma.
"O Benedito me deu vários presentes e o presente maior que ele me deu depois da Juma foi o próprio Pantanal", resume.
Foi durante as gravações da novela, às margens do Rio Negro, a cerca de 100 quilômetros de Aquidauana, que Cristiana conheceu Mato Grosso do Sul. Até então, nunca havia visitado o Estado. A partir dali nasceu uma relação que permanece até hoje.
"Claro que foi o Benedito que me apresentou o Pantanal. Todo o meu conhecimento durante a novela foi Mato Grosso do Sul. O Benedito, na verdade... ele é um divisor de águas na minha vida pública."
Mais de três décadas depois, Cristiana continua voltando ao Estado, mantém amizades construídas desde a época da novela e se tornou uma das vozes conhecidas na defesa do bioma pantaneiro. Ela faz expedições, acompanha projetos ambientais e atua ao lado de organizações que trabalham pela preservação da região.
"Eu sou uma super interessada na história do Pantanal, em tudo do Pantanal."
A aproximação se fortaleceu depois das grandes queimadas de 2020. Foi nesse período que a atriz decidiu conhecer de perto a realidade dos ribeirinhos e o trabalho desenvolvido por organizações ambientais.
"Há seis anos entrei em contato com a SOS Pantanal por causa das queimadas. Eu quis ver aquilo de perto. Fiz minha primeira expedição junto com cinco ONGs que protegem o Pantanal. Conheci os ribeirinhos, vi as dificuldades e comecei a entender tudo o que envolve esse bioma. E me apaixonei."
Hoje, Cristiana é madrinha de uma organização voltada à proteção dos rios e da mata ciliar. Ela diz que faz questão de aproveitar cada visita ao Estado para reencontrar amigos e conhecer mais sobre o Pantanal.
"Faço questão de passar por Campo Grande sempre que posso porque amo a cidade, adoro as pessoas, sou muito bem tratada e tenho amigos de quem morro de saudade."
Entre esses amigos estão pessoas que conheceu ainda durante as gravações de Pantanal. "Tenho amigos aí desde a época da novela. São mais de 35 anos de amizade. Toda vez que vou, faço questão de encontrá-los."
Embora diga que conviveu poucas vezes pessoalmente com Benedito, Cristiana guarda lembranças marcantes dos encontros com o autor. "Todas as vezes que a gente se encontrava, o Benedito sempre estava com a sensação de que estava com os olhos molhados."
Segundo ela, o escritor carregava uma emoção especial quando falava da novela. "Ele lutou muito para fazer Pantanal. A novela foi recusada antes de ser aceita. Era uma produção difícil, gravada dentro de um bioma que praticamente não tinha estrutura naquela época. O Benedito estava sempre muito presente na vida da gente."
A atriz lembra que também trabalhou com o autor na segunda versão de Paraíso, exibida em 2009, mas afirma que a admiração por Benedito começou antes de se tornar atriz. "Eu era apaixonada por Cabocla, Paraíso... eu nem era atriz ainda. Então imagina o orgulho que tive quando fui trabalhar com ele."
Cristiana acredita que Benedito teve um papel ao mostrar o Pantanal para milhões de brasileiros. "Muita gente achava que o Pantanal era Amazônia. Até hoje tem gente que fala isso. O Pantanal é um bioma único."
Para ela, esse também é um dos legados do autor. "O Pantanal daquela época já não é mais o de hoje. É por ele que eu luto também."
Mesmo depois de mais de 20 novelas e 37 anos de carreira, Cristiana reconhece que a Juma continua sendo a personagem que transformou sua vida. "Ela é o início de tudo. A Juma me apresentou para outros trabalhos. Foi a novela do Benedito que me colocou diante do público."
Ao lembrar do escritor, a atriz prefere celebrar a vida de quem ajudou a emocionar gerações. "Ele vai fazer muita falta, mas viveu muito. Morreu aos 95 anos. Teve uma vida de muita significância através das obras dele. Ele emocionou o Brasil inteiro e emocionou quem teve o privilégio de fazer suas novelas."
Benedito Ruy Barbosa morreu nesta terça-feira (7), aos 95 anos. Dramaturgo e escritor, foi autor de novelas como Pantanal, O Rei do Gado, Terra Nostra e Cabocla. Ao longo da carreira, tornou-se um dos retratistas do universo rural brasileiro, levando o campo e a cultura do interior para milhões de telespectadores.
