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Zé Dirceu é entrevistado no 'Frente a Frente

Por Diário de Goiânia · · 3 min de leitura

O ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu (PT), disse acreditar na inocência do senador Jaques Wagner (PT-BA), que foi alvo da Polícia Federal na semana passada em investigação do caso do Banco Master.

"Eu não acredito que isso colocará a eleição em risco. Até porque, acredito na inocência do Jaques Wagner. Ele terá que provar isso em juízo como os acusadores terão de provar o que estão acusando", declarou Dirceu nesta segunda-feira (22), ao participar do programa Frente a Frente, parceria da Folha e do UOL.

Dirceu, que integra a direção nacional do PT, afirmou que eventual afastamento de Wagner da liderança petista no Senado é uma decisão "de foro íntimo" entre o petista e o presidente Lula (PT). Ele disse que o caso deve ser resolvido ainda esta semana.

"A questão de ele ficar ou não na liderança do governo é uma questão de foro íntimo dele e do presidente da República. O presidente pode demiti-lo, e ele pode pedir demissão. Até agora isso não aconteceu. Eu entendi que ele e o presidente vão se encontrar e vão tomar uma decisão. Cada um adota aquilo que considera adequado no momento político, na crise que está vivendo", afirmou.

Pré-candidato a deputado federal por São Paulo, Dirceu disse que concorrerá nestas eleições a pedido de Lula. "Numa conversa longa comigo e com o Edinho [Silva, presidente nacional do PT], [Lula] me convidou para retornar para a direção do partido e que voltasse para a Câmara dos Deputados para ajudá-lo", disse ele, que é apontado como um dos possíveis "puxadores de voto" do partido.

Apesar disso, Dirceu não comentou sobre as candidaturas de outros condenados pelo mensalão, como João Paulo Cunha e Delúbio Soares. O escândalo levou os três à prisão.

O ex-ministro afirmou não ver favoritismo do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato a presidente e principal adversário de Lula nestas eleições, mas que, apesar disso, a eleição não será fácil. "É uma eleição que pode ser decidida com 1%, 2% [de diferença] de votos", disse.

Ele chamou de "chapa privilegiada" o possível palanque de Fernando Haddad (PT) ao Governo de São Paulo com Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede) ao Senado. Também afirmou ser "prematuro" dizer que o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) será reeleito e que eventual candidatura de Márcio França (PSB) a governador seria ruim para o PT porque tiraria votos de Haddad.

Aos 80 anos, Dirceu avalia que a esquerda brasileira precisa ser repensada e "reconstruída rapidamente por causa das mudanças no mundo e no Brasil". O ex-ministro, que foi líder estudantil e participou de organizações armadas de resistência à ditadura militar, disse que, sem o PT, não será possível pensar no sucessor político de Lula, que também com 80 anos, caminha para sua última eleição. "Temos que fazer releitura do Lula e do Brasil", afirmou.

Dirceu fez a entrevista por videochamada por causa do tratamento de um linfoma. Apesar disso, segue fazendo campanha pelas redes sociais e participa, por vídeo, de debates e eventos públicos. "Espero viver como a minha mãe até os 97 ou como o presidente Sarney, que está aí aos 96 anos na ativa", brincou ele.

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