Ucrânia: plano passo a passo para retomar Crimeia
A Ucrânia intensificou os ataques contra a Crimeia, território anexado pela Rússia em 2014, com o uso de enxames de drones. O objetivo é transformar a península, descrita pelo presidente russo Vladimir Putin como um "porta-aviões inafundável", em um problema logístico para o Kremlin.
A geografia da Crimeia a torna um alvo vulnerável. A ponte do Estreito de Kerch é a única ligação direta com a Rússia, e a Ucrânia já a atingiu anteriormente. Nas últimas semanas, os ataques ucranianos se concentraram em cortar linhas de abastecimento, mirando pontes e estradas, de acordo com análise do New York Times baseada em imagens de satélite.
A ofensiva começou com investidas contra sistemas de defesa aérea e radar em toda a península. As forças ucranianas também atacaram a rede de energia e reservas de combustível, causando apagões e privando tropas russas de recursos. A situação abalou a vida na Crimeia e forçou algumas forças russas na frente sul a adotar posturas defensivas, segundo o analista militar ucraniano Kostiantyn Mashovets.
Entre a noite de quarta e a manhã de quinta-feira, a Rússia bombardeou Kiev, capital da Ucrânia, matando ao menos 30 pessoas, conforme os serviços de emergência ucranianos. Moscou passou anos fortificando a Crimeia, triplicando tropas e implantando sistemas avançados de defesa. No entanto, a Ucrânia afirma que seu arsenal em evolução pode infligir danos maiores.
Campanha de ataques
A campanha ucraniana na Crimeia teve como alvo inicial a rede de defesa aérea russa. Somente em junho, a Ucrânia afirmou ter atacado 31 sistemas de defesa aérea e radares. O maior sucesso, segundo o país, foi a destruição do sistema de radar Neva-B, avaliado em 100 milhões de dólares, capaz de rastrear alvos a até 600 quilômetros.
Com as defesas enfraquecidas, a Ucrânia passou a atacar as linhas de suprimento. Após ataques a navios e interrupção de operações de balsas, a Rússia passou a depender de corredores terrestres e pontes. Em 7 de junho, a Ucrânia danificou a Ponte de Chonhar, que liga a Crimeia à região de Kherson. A Rússia montou uma ponte flutuante provisória, que também foi atacada por drones ucranianos dias depois.
Além de pontes, drones ucranianos atacaram caminhões de carga, caminhões-tanque e trens. Imagens de carcaças em chamas e vagões descarrilados foram divulgadas por civis e drones militares ucranianos. Ataques a instalações de combustível e à rede de energia causaram apagões generalizados, levando autoridades locais a declarar estado de emergência. Postos de gasolina ficaram sem combustível, e milhares de pessoas fugiram da península.
O jornal The Times verificou ataques ucranianos a instalações de armazenamento de petróleo e gás, estações de compressão e usinas de energia. A análise de vídeos e imagens de satélite mostrou a extensão dos danos, embora não tenha sido possível verificar todos os alvos reivindicados pela Ucrânia.