24/04/2026
Diário de Goiânia»Notícias»Geógrafo Tonico: 10 anos vivo em nós

Geógrafo Tonico: 10 anos vivo em nós

O geógrafo e professor da USP Antonio Carlos Robert Moraes, conhecido como Tonico, morreu em São Paulo no dia 16 de julho de 2015, aos 61 anos. Ele deixou um legado na Geografia brasileira e na vida acadêmica do país.

Tonico nasceu em Poços de Caldas, Minas Gerais, em junho de 1954. Aos cinco anos, mudou-se para São Paulo. Cursou Geografia na USP entre 1973 e 1977, e Ciências Sociais entre 1974 e 1979. Tornou-se professor do Departamento de Geografia da USP em 1982. Concluiu o mestrado em 1983, o doutorado em 1991, a livre-docência em 2000 e se tornou professor titular em 2004. Para muitos, ele foi o geógrafo mais criativo de sua geração.

Sua estreia como autor foi o livro “Geografia. Pequena História Crítica”, publicado em 1981. A obra, com pouco mais de cem páginas, preencheu uma lacuna nos estudos introdutórios de Geografia no Brasil. O livro usava linguagem simples e elegante, e se tornou uma referência na época da redemocratização do país.

Entre suas principais obras estão “Geografia Crítica” (1984), “Ideologias Geográficas” (1988), “A Gênese da Geografia Moderna” (1989), “Meio Ambiente e Ciências Humanas” (1994), “Bases da formação territorial do Brasil” (2000), “Território e História no Brasil” (2002) e “Território da Geografia de Milton Santos” (2014). Também publicou dezenas de artigos, relatórios, entrevistas e conferências.

Tonico se destacou também pelo engajamento político. Na USP, ajudou a refundar o Diretório Central dos Estudantes (DCE) em 1975. Aproximou-se do PCB e participou da refundação da União Nacional dos Estudantes (UNE). Foi importante na criação do Sindicato dos Professores do Ensino Privado (Sinpro). Em 1978, fundou o diretório do MDB na Vila Madalena, em São Paulo. Em 1988, foi um dos fundadores do PSDB.

Ele foi consultor da presidência da República para assuntos climáticos a partir de 1986. Também atuou como assessor científico da Fapesp e animador de grupos de trabalho no Ibama.

Dez anos após sua morte, o que resta de Tonico é sua obra, suas ideias e a memória de sua trajetória. Ele segue presente na forma como outros pensam a Geografia e o Brasil.