Um ex-colega de trabalho de João Augusto Borges, de 22 anos, prestou depoimento nesta quarta-feira no julgamento do réu, acusado de duplo feminicídio e ocultação de cadáver. A testemunha, Welison Matheus, afirmou que João anunciava abertamente o plano de matar a esposa, Vanessa Eugênia Medeiros, e a filha do casal, Sophie, de apenas 10 meses. Segundo Welison, ao ser questionado sobre o que faria com a bebê, o réu respondia: “Vai junto”.
Os dois trabalhavam como estoquistas em uma distribuidora de bebidas em Campo Grande. O depoimento foi prestado sem a presença do réu na sala, a pedido da testemunha. Welison contou que a primeira abordagem ocorreu no ambiente de trabalho, quando João perguntou quem fazia “o corre”. A testemunha explicou que a expressão se referia a matar alguém. “No dia seguinte, ele falou de novo que queria matar a esposa, que não deixava fazer nada. Eu não acreditei, mas ele continuou falando nessa história”, afirmou.
No dia do crime, ocorrido em 26 de maio de 2025, João retornou atrasado do horário de almoço e disse a Welison: “Tá feito”. O réu chegou ao trabalho entre 17h e 18h com sinais de lesões, incluindo o pescoço arranhado. Depois, pediu para ir a um posto de saúde, mas não voltou. Em mensagens, João afirmou que o corpo estava no carro e começando a feder, e pediu ajuda para queimar os corpos. “Ele queria que eu ajudasse a queimar o corpo”, relatou a testemunha.
Welison disse que ninguém acionou a polícia porque os colegas não acreditaram que João cometeria o crime. “Ninguém acreditou. Mas no outro dia eu mostrei as conversas pro gerente”, afirmou. Segundo ele, o motivo alegado por João era que Vanessa não o deixava fazer o que queria, como jogar videogame ou futebol. “Ele falava que pegou raiva”, declarou. O réu chegou a oferecer o carro como pagamento pelo crime, mas a testemunha recusou.
Welison também afirmou que João acreditava que sairia impune. “Ele falava pra mim que ia ser perfeito o plano, que ninguém ia saber, que ia dar certo”, disse. A defesa não fez perguntas à testemunha. Após o depoimento de Welison e de outra testemunha de acusação, a sessão foi interrompida.
O crime
Segundo a investigação, Vanessa e Sophie foram mortas por João durante o horário de almoço dele. Depois, ele voltou ao trabalho e, mais tarde, levou os corpos no porta-malas do carro até uma área de mata no bairro Indubrasil, onde as vítimas foram deixadas e incendiadas. Os corpos foram encontrados durante a madrugada por um vigilante, que acionou a Polícia Militar.
João foi denunciado pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul por duplo feminicídio qualificado e ocultação ou destruição de cadáver. O julgamento continua na 2ª Vara do Tribunal do Júri, em Campo Grande.
