O analista de Economia da Aprosoja/MS, Mateus Fernandes, afirmou que a abertura do mercado chileno para o DDG brasileiro, anunciada na última semana, coloca Mato Grosso do Sul em posição de destaque. O DDG é um subproduto do etanol de milho usado na ração animal.
Mato Grosso do Sul é o segundo maior produtor de etanol de milho do país, com 2,128 bilhões de litros na safra 2025/2026. Isso representa cerca de um quinto da produção nacional. Por isso, o estado também se destaca no processamento de DDG.
No ano passado, o estado produziu 1,40 milhão de toneladas de DDG e exportou 1,15 milhão. Os principais compradores foram Nova Zelândia (27%), Turquia (23%), Vietnã (22%) e Espanha (18%). Segundo Mateus, a produção tem perfil misto, com forte presença no mercado interno e uma parcela relevante exportada.
A abertura de novos mercados, como Chile e China, amplia o leque de compradores. Isso pode elevar a concorrência e aproximar o preço interno da paridade de exportação, com efeitos diretos na economia local. O analista explica que o efeito é duplo: pode sustentar ou elevar os preços do DDG no mercado doméstico e pressionar o custo da ração, mas melhora a rentabilidade das usinas de etanol de milho.
O parque industrial de etanol de milho do estado tem três unidades: duas da Inpasa (Sidrolândia e Dourados) e uma da Neomille (Maracaju). Estão previstos dois projetos da Atvos, com capacidade de 250 milhões de litros por ano cada, além da ampliação da planta da Inpasa em Sidrolândia com mais 300 milhões de litros. A expectativa é de crescimento também na produção de DDG.
A logística da Rota Bioceânica é um diferencial competitivo. Com conclusão prevista para 2027, a rota pode ampliar o acesso a mercados internacionais, especialmente na Ásia. O Corredor Bioceânico tem mais de 2,4 mil quilômetros e liga os oceanos Atlântico e Pacífico, passando por Brasil, Paraguai, Argentina e Chile. Porto Murtinho, em Mato Grosso do Sul, é o portal da rota no Brasil. A expectativa é reduzir em até 30% os custos logísticos e em até 15 dias o tempo de transporte, em comparação a rotas como o Canal do Panamá.
As obras avançam: a Ponte da Bioceânica, em Carmelo Peralta, já atingiu cerca de 90% de execução, com previsão de encontro das duas extremidades em maio. No Paraguai, começou a aplicação da base asfáltica no terceiro trecho da rota, com 224 quilômetros da rodovia PY15, o último segmento sem pavimentação no país.
O analista alerta para desafios: será necessário equilibrar o avanço das vendas externas com o abastecimento interno, evitando pressão sobre os custos da cadeia de proteínas animais. O ganho sustentável passa pela expansão da produção de milho, aumento da capacidade de processamento e melhoria da logística.
