O tio de um bebê de 1 ano e 8 meses morto em Campo Grande afirmou que a família estaria disposta a criar a criança. “Se não dava conta, podia deixar aqui”, disse Jonathan, irmão do pai biológico do menino.
A criança morreu na madrugada de quinta-feira (30) na Santa Casa, após dois dias internada. Segundo o boletim de ocorrência, ela foi socorrida após se engasgar com leite, mas os médicos encontraram hematoma extenso na cabeça, marcas antigas pelo corpo e sinais de violência sexual.
A mãe, de 31 anos, e o padrasto, de 23, foram presos em flagrante por maus-tratos e estupro de vulnerável. A Justiça decretou a prisão preventiva dos dois após audiência de custódia.
Família paterna relata afastamento
A avó paterna, Iracy Quirino da Silva, de 63 anos, disse que nunca conheceu o neto. “Eu sempre pedia para ela trazer o neném aqui para eu conhecer. Nunca cheguei a conhecer ele”, afirmou.
O menino era filho de Josue de Oliveira, morto em acidente de trânsito em 2 de junho de 2024, quando a mãe ainda estava grávida. Segundo os parentes, a criança nunca foi apresentada à família paterna.
Dos quatro filhos da mulher, três são criados por famílias paternas, informou o 2º Conselho Tutelar da Região Norte. O bebê que morreu era o único sob cuidados diretos da mãe, e estava com ela havia apenas quatro meses. Antes, morava com a avó materna até dezembro de 2025.
O irmão mais velho da vítima, hoje com 4 anos, vive com a avó paterna desde os primeiros meses de vida. “Ele sempre morou comigo. Cuido dele desde novinho. Nunca foi morar com ela”, contou Iracy.
Sem registros de denúncias
O Conselho Tutelar informou que não havia registros anteriores de denúncias contra a mãe ou nos endereços do caso. Ao ser questionada, a mulher disse não saber a origem dos maus-tratos e afirmou que o padrasto tratava a criança “com carinho, como se fosse seu próprio filho”.
A família paterna pede justiça. “A gente quer justiça. Que paguem pelo que aconteceu com ele”, disse Jonathan. “Meu neto se foi sem eu conhecer”, completou Iracy.
