Diante da previsão de formação de um El Niño severo ao longo de 2026, o Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul (CBM/MS) iniciou ações preventivas e reforçou o planejamento para combater incêndios florestais no segundo semestre. O estado enfrentou temporadas históricas de incêndios em 2020 e 2024, especialmente no Pantanal.
Projeções do Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima (Cemtec) indicam 92% de probabilidade de desenvolvimento do fenômeno climático entre junho e agosto. A tendência é de intensificação gradual até o fim do ano, com possibilidade de um El Niño moderado a forte entre a primavera e o início do verão. O cenário preocupa por estar associado ao aumento das temperaturas, irregularidade das chuvas e longos períodos de seca, fatores que favorecem incêndios no Cerrado e no Pantanal.
Segundo o Capitão Pedro Paulo Barros da Costa, chefe do Setor de Planejamento da Diretoria de Proteção Ambiental do CBMMS, o prognóstico para o segundo semestre exige atenção máxima. “O cenário previsto é semelhante ao ocorrido em 2023. O início do ano trouxe sensação de tranquilidade, mas depois tivemos condições extremas e agressivas”, afirma. O temor é de que a temporada de incêndios se prolongue além do habitual, podendo avançar até 2027.
A corporação ampliou a estrutura, efetivo e presença operacional em regiões estratégicas. O Plano Estadual de Manejo Integrado do Fogo (PEMIF) prevê a mobilização de 170 militares dedicados ao combate aos incêndios florestais, além da possibilidade de apoio da Força Nacional, brigadas mistas com prefeituras e integração com órgãos ambientais e de defesa civil.
O Corpo de Bombeiros também prevê a instalação de até 11 bases avançadas em áreas de difícil acesso, como a região do Amolar, no Pantanal, e manterá 15 guarnições distribuídas pelo estado voltadas para incêndios em vegetação. A estrutura operacional inclui 25 viaturas, 19 kits pick-up de combate a incêndio florestal, 160 motosserras, 186 moto sopradores, 270 mochilas costais e 17 drones com câmera térmica.
O monitoramento foi intensificado com equipes trabalhando 24 horas no acompanhamento de focos de calor por satélite, em parceria com o Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul). Treinamentos operacionais e ações de manejo preventivo, incluindo queimadas prescritas em áreas estratégicas, já foram iniciados.
Conforme o avanço das condições críticas, como baixa umidade do ar e altas temperaturas, o governo poderá decretar a proibição do uso do fogo e ampliar campanhas de conscientização. Em 2020, 3,9 milhões de hectares foram consumidos pelo fogo no Pantanal, sendo 1,8 milhão em território sul-mato-grossense. Em 2024, cerca de 1,9 milhão de hectares queimaram no estado, dos quais aproximadamente 1,7 milhão no Pantanal.
