Uma viagem comum de aplicativo foi suficiente para despertar uma ideia que, três anos depois, se transformou em negócio. Ao entrar em um carro e encontrar um anúncio simples colado atrás do banco do motorista, a empresária Larissa Brito percebeu algo que passava despercebido pela maioria das pessoas: durante uma corrida, o passageiro tem alguns minutos de atenção disponíveis.
A observação virou projeto. Hoje, ao lado do sócio-fundador Cauã Ibanhez, ambos com 22 anos, ela comanda a Publicar – Publicidade em Movimento, empresa de Campo Grande que instalou telas digitais em carros de aplicativo para exibir campanhas publicitárias, informações sobre eventos, serviços e negócios locais. Inclusive a primeira de Mato Grosso do Sul.
Segundo os empreendedores, a proposta surgiu justamente da experiência de quem utiliza aplicativos de transporte com frequência. “Eu vi um anúncio de uma cabeleireira atrás do banco do motorista. Aquilo me chamou atenção. Escaneei o QR Code, fui conhecer o trabalho dela e percebi que a corrida parecia ter passado mais rápido. Foi aí que pensei: e se, em vez de uma informação, fosse possível mostrar várias?”, relembra Larissa.
A partir da ideia inicial, começou um processo que levou cerca de três anos de desenvolvimento. Nesse período, os jovens criaram também a tecnologia necessária para colocá-lo em prática. “Quando começamos, não existia algo parecido aqui. Nós desenvolvemos tudo do zero, inclusive o sistema que controla as telas à distância”, explica Cauã.
A tecnologia permite que as campanhas sejam atualizadas em tempo real e até programadas para horários específicos. Um restaurante, por exemplo, pode exibir anúncios diferentes no horário do almoço e do jantar automaticamente.
Além da parte tecnológica, os fundadores também apostaram em um modelo que busca beneficiar os motoristas parceiros. Os condutores recebem remuneração mensal pela instalação dos equipamentos e têm acesso a vantagens como descontos, sorteios e ações promocionais realizadas pela empresa. Mas nem todos os motoristas podem participar. Segundo os sócios, há um processo de seleção que leva em consideração critérios como avaliação dos usuários e qualidade do veículo. “A gente quer que a experiência seja completa. Não basta apenas instalar a tela. O motorista também faz parte do projeto e representa a nossa marca”, afirma Larissa.
Do lado dos anunciantes, a proposta é oferecer uma mídia que acompanha o passageiro durante todo o trajeto. As campanhas são exibidas em ciclos de 15 segundos e podem aparecer mais de uma vez durante uma corrida média, que costuma durar entre 10 e 15 minutos. Outro diferencial é que as telas não reproduzem som. A decisão foi tomada para evitar incômodos aos passageiros e aos próprios motoristas. “A ideia é ser uma mídia natural. Algo que informe sem atrapalhar a experiência da viagem”, diz Cauã.
Atualmente, a empresa já possui mais de 50 telas em operação em Campo Grande. A expectativa é ampliar a rede nos próximos meses, mantendo o foco em tecnologia desenvolvida localmente. Apesar de muita gente acreditar que a ideia foi importada de grandes centros, os fundadores fazem questão de destacar a origem sul-mato-grossense do projeto. “Essa é uma das perguntas que a gente mais recebe. As pessoas acham que trouxemos de São Paulo, mas não. A ideia nasceu aqui, foi desenvolvida aqui e continua sendo construída por pessoas daqui”, destaca Larissa.
