A sessão da Câmara de Vereadores de Campo Grande foi realizada nesta manhã com o auditório lotado de manifestantes. Eles carregavam faixas, bandeiras e cartazes para criticar dois projetos do vereador André Salineiro (PL). Um deles, já transformado em lei, proíbe mulheres trans em banheiros femininos. O outro, ainda em votação, cria o “Abril Verde e Amarelo” em oposição ao “Abril Vermelho”, dos sem-terra.
O início da sessão foi tumultuado, mas sem intervenção da segurança. O público gritava palavras de ordem como “banheiro é um direito; reforma agrária já”.
O presidente da Casa, Epaminondas Netto (Papy, PSDB-MS), foi até o público e disse que eles não poderiam ocupar a tribuna, mas vereadores com afinidade com os temas falariam por eles. Em meio ao barulho, Papy afirmou que “a democracia perdeu”.
A sessão começou e, pouco depois das 10h, guardas civis chegaram para acompanhar a movimentação, mas não interferiram. Os vereadores tiveram dificuldade para usar o microfone e discursar. Papy tentou conter o barulho, mas decidiu suspender a sessão por volta das 10h30.
Entre os ativistas, alguns defenderam que a proibição de mulheres trans em banheiros femininos não tem fundamento, pois não há registro de casos de violência. Alertaram também que esse grupo é vulnerável e fica mais exposto a riscos.
O outro projeto, que precisa de segunda votação, prevê campanhas, debates e ações para fortalecer o direito de propriedade, em oposição à reforma agrária. Salineiro defendeu a proposta dizendo que “o trabalhador que rala para caramba para conseguir conquistar um pedaço de terra ou comprar a tua tão sonhada casa, como que fica ao ver criminosos invadindo espaços públicos e privados”.
O professor e ator Patrick Leme Gonzaga, de 21 anos, e o vice-presidente da Central dos Trabalhadores do Brasil em Mato Grosso do Sul, Jorge Bento Soares, participaram da mobilização. Patrick afirmou que o grupo se organizou contra o que chamou de pautas transfóbicas, principalmente sobre banheiro e esporte. Ele disse que a mobilização partiu dos movimentos sociais, pois os políticos não representaram essa luta.
Jorge Bento Soares disse que a presença dos movimentos foi uma resposta aos retrocessos. Ele citou que a população trans é a mais prejudicada pelos projetos aprovados. Também criticou propostas que, segundo ele, criminalizam movimentos de luta pela terra e pela moradia digna. Ao final, reforçou o objetivo do ato de dizer “chega de retrocessos na Câmara de Campo Grande e de criminalização dos movimentos sociais”.
