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Justiça ordena remoção de canil e suspende treinos do Choque em Campo Grande

Por Diário de Goiânia · · 3 min de leitura
Justiça ordena remoção de canil e suspende treinos do Choque em Campo Grande
Sede do Batalhão do Choque fica localizado nos altos da Afonso Pena, ao lado de condomínio residencial (Foto: Repdroção/Google Maps)

A Justiça determinou a remoção do canil da sede do Batalhão de Choque da Polícia Militar, localizado nos altos da Avenida Afonso Pena, em Campo Grande. A decisão também suspende, em até seis meses, os cursos e treinamentos da tropa que utilizem bombas, gás lacrimogêneo ou pimenta no local. A medida foi divulgada nesta sexta-feira (7) pela 3ª Vara de Fazenda Pública e de Registros Públicos da capital.

A ação foi movida pelo Condomínio Residencial San Pietro Villaggio, cujas casas fazem divisa de muro com o batalhão. Moradores relataram anos de perturbação ao sossego e à saúde por causa da permanência de 13 a 21 cães policiais na estrutura vizinha. Os animais geravam latidos contínuos durante o dia e a noite, além de forte mau cheiro de dejetos.

Segundo o processo, a situação mais grave envolve os exercícios da tropa. Durante os treinamentos, o gás lacrimogêneo e o gás de pimenta arremessados no batalhão se espalhavam em direção às residências. Moradores relataram irritação nos olhos, dores de cabeça e falta de ar. Em depoimentos, testemunhas afirmaram que precisavam se deitar no chão ou deixar temporariamente suas casas para fugir dos efeitos dos produtos químicos.

Na decisão, o juiz Claudio Müller Pareja afirmou que a segurança pública é uma atividade essencial do Estado, mas a supremacia do interesse público não justifica submeter vizinhos a incômodos desproporcionais e a riscos à saúde. O magistrado destacou que a transferência do canil e dos treinos mais ruidosos para outra localidade não inviabiliza as atividades operacionais do Batalhão de Choque. Após o prazo de seis meses, a Polícia Militar poderá manter no local apenas um número reduzido de cães em pronto uso para operações pontuais e de emergência.

A PM informou que não foi notificada da decisão judicial e que, após a ciência formal, a medida será analisada para a definição das providências cabíveis. A instituição afirmou que, se forem necessárias adequações nas atividades de instrução e treinamento, serão adotadas medidas administrativas e operacionais para garantir a continuidade da capacitação do efetivo. A PM ressaltou que o policiamento e o atendimento à população não serão prejudicados e que a capacidade operacional do Batalhão de Choque segue normalizada.

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), por meio do Grupo de Atuação Especial de Controle Externo da Atividade Policial (Gacep), instaurou um inquérito civil em junho de 2025 para apurar as condições estruturais e a necessidade de realocação do Batalhão do Choque e do 9º Batalhão da Polícia Militar. Segundo o promotor Douglas Oldegardo Cavalheiro dos Santos, ambas as unidades operam em situação precária. Os relatos sobre os transtornos causados pelo barulho dos cães e pelo manejo de bombas químicas são acompanhados pelo MP desde 2022.

Um laudo de vistoria do MPMS, realizado em maio de 2026, aponta que a sede do batalhão apresenta bom estado de conservação, mas é insuficiente e inadequada para as necessidades operacionais de um batalhão de forças especiais. Foram constatados alojamentos com capacidade de leitos muito inferior ao efetivo de 170 policiais, incluindo dormitório masculino improvisado no espaço da academia. Também foram encontradas infiltrações em paredes e tetos, vazamento de esgoto sobre a sala de instruções, estacionamento reduzido para viaturas e incômodo sonoro causado pelos cães do canil ao condomínio vizinho. A equipe pericial do MP sugeriu a realocação do canil para a área do estacionamento voltado à Avenida do Poeta, o que reduziria o impacto acústico e liberaria espaço para a ampliação do prédio e a construção de novos alojamentos.

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