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Fim de programa pode afetar acesso noturno à saúde no interior de MS

Por Diário de Goiânia · · 2 min de leitura
Fim de programa pode afetar acesso noturno à saúde no interior de MS
Salão de espera de posto de saúde em Corumbá (Foto: Leonardo Cabral/Prefeitura)

O programa Horário Estendido, da Secretaria Estadual de Saúde de Mato Grosso do Sul (SES), será encerrado na próxima quarta-feira, dia 1º de outubro, quando completará um ano de funcionamento. O programa repassava R$ 20 mil mensais às prefeituras para manter postos de saúde abertos até as 21h.

Ao todo, 46 unidades participavam da iniciativa, com um gasto mensal de R$ 920 mil e anual de cerca de R$ 11 milhões. Desse total, quatro unidades ficam na Capital e as demais no interior do estado.

Nesta quarta-feira, dia 24, o Conselho das Secretarias Municipais de Saúde (Cosems) se manifestou a favor da continuidade do programa. O objetivo é evitar prejuízos, especialmente para os municípios menos populosos e que contam com apenas uma unidade de saúde pública.

O presidente do Cosems e secretário municipal de Saúde de Iguatemi, Janssen Portela Galhardo, avaliou que os moradores de cidades com menos de 20 mil habitantes serão os mais impactados. Essas localidades geralmente têm trabalhadores concentrados na área rural.

"É um programa excelente, permite um olhar diferenciado ao trabalhador, principalmente o que trabalha o dia todo no campo. Ele serve ao foco da Saúde no interior, que é a prevenção na Atenção Primária à Saúde", disse à reportagem.

Em alguns casos, a Unidade de Saúde da Família (USF) é o único serviço de saúde pública disponível nos municípios e, até então, ficava aberto à noite. Com o fim do programa, o acesso a profissionais de saúde no período noturno poderá voltar a ficar disponível somente em cidades vizinhas. "Aí o morador vai precisar ir até o município de referência da região onde ele vive", continuou o secretário.

Janssen afirmou que o Cosems pediu formalmente à SES que prorrogasse o programa, mas a resposta foi negativa. "Por conta do período eleitoral e da necessidade de contenção de gastos do Estado", explicou.

O secretário estadual de Saúde, Maurício Simões, afirmou que a continuidade dos repasses ainda é estudada. "Ainda não temos definição qual conduta adotaremos. Estamos estudando os impactos para a tomada de decisão", respondeu.

Sobre a possibilidade de as prefeituras custearem os gastos com o horário ampliado, que são R$ 20 mil mensais, o presidente do Cosems afirmou que não seria possível. "Os municípios estão assoberbados, já assumem cerca de 70% dos custos da APS", finalizou.

O programa Horário Estendido teve início em outubro do ano passado, com o objetivo de ampliar o acesso da população aos serviços de saúde. A iniciativa era vista como uma forma de reduzir as filas no Sistema Único de Saúde (SUS) e atender trabalhadores que não podiam ir aos postos durante o dia.

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