Diagnosticada com leucemia, idosa vira fenômeno da corrida

Quando dona Cleusa Uenaka chegou à Maratona de Campo Grande, era difícil caminhar alguns metros sem ser interrompida. Um abraço aqui, uma foto ali, um "eu te acompanho todos os dias" e outro "você mudou minha vida". Aos 74 anos, ela já entendeu que a corrida levou muito mais do que seu corpo para frente. Levou gente junto.
Quem vê a energia da influenciadora fitness talvez imagine que ela sempre foi assim. Mas houve um tempo em que a cena era outra: uma cama de hospital, três hérnias, fibromialgia e um diagnóstico de leucemia. Foi ali que ouviu a frase que mudaria sua vida.
"Só você pode fazer alguma coisa. Muda o foco da sua mente, senão você vai morrer nessa cama", lembra que escutou de um médico. Ela decidiu acreditar. "Eu cheguei no hospital com três hérnias, fibromialgia e leucemia. Quando ele falou aquilo, eu resolvi cuidar da minha saúde."
A corrida veio logo depois. Desde então, não parou mais. Até este sábado (04) em Campo Grande, ela contabiliza 1.919 dias consecutivos correndo. Chova, faça frio ou calor, dona Cleusa calça o tênis e sai. Primeiro por ela. Depois, sem perceber, por milhares de pessoas que passaram a encontrá-la todos os dias pelas redes sociais.
Hoje ela reúne mais de um milhão de seguidores, que acompanham seus quilômetros percorridos e as mensagens de incentivo que costuma gravar ao fim de cada treino. No meio da movimentação da maratona, entre uma foto e outra, ela resume o motivo de continuar. "Eu adoro todo mundo. Adoro abraçar todo mundo. Você não tem como mensurar a quantidade de pessoas que te ouve. Se cada pessoa dedica um minutinho para me ouvir, esse já é o retorno."
Em Campo Grande, a convidada da maratona repetiu a mensagem que costuma levar para onde vai: saúde não começa quando o corpo responde. Começa quando alguém decide cuidar dele.


