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Lei Pix Pensão: entenda a nova regra de pagamento

Por Diário de Goiânia · · 2 min de leitura
Lei Pix Pensão: entenda a nova regra de pagamento
Lei Pix Pensão: entenda a nova regra de pagamento

Publicada no Diário Oficial da União no dia 30 de julho de 2026, a Lei nº 15.479/2026, conhecida como “Pix Pensão”, altera o Código de Processo Civil para regulamentar a transferência automática de valores destinados ao pagamento de pensão alimentícia.

De acordo com a lei, o pagamento dos alimentos poderá ocorrer mediante transferência automática entre contas bancárias nas datas previamente fixadas pelo Poder Judiciário. As instituições financeiras poderão repassar diretamente ao beneficiário, ou ao seu representante legal, o valor devido. A medida poderá ser requerida em qualquer fase do cumprimento de sentença.

Para a implementação, a decisão judicial que determinar a adoção do sistema deverá especificar o valor da prestação alimentícia, o período de duração da obrigação, as contas bancárias de débito e de crédito e os critérios de atualização dos valores.

Uma das principais vantagens é garantir maior efetividade à execução de alimentos, principalmente quando o devedor não exerce atividade laboral com vínculo empregatício. Nesses casos, não é possível realizar o desconto em folha de pagamento.

A criação do mecanismo representa um avanço para a satisfação do crédito alimentar. Porém, a aplicação se restringe aos casos de descumprimento da obrigação, o que limita o potencial para a redução da litigiosidade. Se a medida fosse aplicada desde a fixação dos alimentos, com pagamentos automáticos desde o início da relação obrigacional, a capacidade de prevenir o inadimplemento e reduzir o número de demandas judiciais seria maior.

Nos casos de insuficiência de saldo na conta bancária do devedor, a instituição financeira deverá informar a ocorrência à autoridade supervisora do sistema financeiro nacional, função exercida pelo Banco Central do Brasil. A autoridade tornará indisponíveis ativos financeiros, como dinheiro, títulos da dívida pública e valores mobiliários com cotação de mercado. A indisponibilidade é limitada ao valor atualizado da prestação alimentícia em atraso.

A lei também prevê um sistema de bloqueio automático, que elimina a necessidade de sucessivas provocações ao Poder Judiciário a cada novo inadimplemento. Para viabilizar a implementação, foi estabelecido um período de vacatio legis de um ano. Esse tempo será usado para o desenvolvimento da infraestrutura tecnológica, que será gerida pela autoridade supervisora do sistema financeiro nacional, e para a integração dos sistemas do Poder Judiciário com os das instituições financeiras.

A nova sistemática não representa uma solução definitiva para a inadimplência alimentar, especialmente nos casos de devedores contumazes ou daqueles que ocultam patrimônio e não possuem ativos financeiros passíveis de bloqueio. Ainda assim, é um avanço na busca por maior efetividade da execução de alimentos. Ao automatizar procedimentos e reduzir a necessidade de intervenções judiciais, a medida tende a tornar mais rápido o cumprimento da obrigação alimentar, reforçando a proteção de um direito indispensável à subsistência, à dignidade e ao desenvolvimento de crianças e adolescentes.

Suzana Borges Viegas de Lima é professora na Faculdade de Direito da UnB (Universidade de Brasília).

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