01/06/2026
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MS usa Gemini em escolas com celular controlado

O celular, que hoje tem uso restrito nas escolas de Mato Grosso do Sul, poderá se tornar uma das portas de entrada da inteligência artificial na rede estadual. De acordo com o governo, a ferramenta Gemini, do Google, não será liberada para uso livre pelos alunos, mas aplicada em atividades planejadas pelos professores.

A explicação foi dada nesta segunda-feira (1º) durante evento na Governadoria, em Campo Grande, que oficializou a parceria entre o Governo do Estado e o Google. Além do “endereço digital” para propriedades rurais, a cooperação prevê o uso de inteligência artificial nas escolas públicas estaduais.

O governador Eduardo Riedel (PP) afirmou que a IA já está presente na rotina dos estudantes, mesmo sem uma política formal de uso. Ele disse que costuma perguntar, em inaugurações de escolas, quantos alunos usam inteligência artificial. A resposta, segundo ele, fica entre 30% e 40%. “O fato é que já está nas escolas de um jeito ou de outro. E agora a gente vai universalizar isso com direcionamento”, afirmou Riedel.

O governador disse que o Estado abrirá vagas para capacitação de professores da rede estadual. “Estamos abrindo vaga para capacitação de professores da rede estadual de ensino, porque é uma novidade e capacitação é permanente na vida da gente”, declarou.

O secretário estadual de Educação, Hélio Daher, afirmou que a conectividade já é uma realidade nas escolas. “A grande preocupação nossa agora é como trabalhar esse acesso”, disse. Segundo ele, o primeiro passo da SED (Secretaria de Estado de Educação) será preparar os professores. O uso da IA, afirmou, precisa estar ligado ao planejamento pedagógico.

Daher explicou como conciliar a ferramenta com a restrição ao celular em sala de aula. “O celular tem uso restrito, mas não proibido. Nós vamos utilizar o celular como ferramenta através do uso do Gemini, de maneira orientada”, disse. O uso da inteligência artificial deverá depender do planejamento do professor.

Na Alems (Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul), o presidente Gerson Claro (PP) defendeu que a escola não pode ignorar as novas tecnologias. Professor de História, ele comparou o cenário atual com o período em que dava aula usando quadro e giz. “A gente querer viver no passado não é nem atraso, eu diria que é um pecado com a nossa juventude e com o nosso futuro”, afirmou.

Newton Neto, diretor-geral de Parcerias para América Latina e Canadá do Google, afirmou que os produtos da empresa seguem a legislação brasileira. Segundo ele, no caso de professores e estudantes, o uso ocorre dentro de uma instância criada para a instituição, sem troca direta de dados entre o que é produzido pela comunidade escolar e o Google. Ele também citou uma parceria com a USP (Universidade de São Paulo) voltada ao desenvolvimento responsável da inteligência artificial.