Potter revive Suécia para a Copa de 2026
O técnico Graham Potter, da Suécia, apareceu no treino da seleção na última semana usando um chapéu Stetson, em clima de descontração para a Copa do Mundo, disputada no Texas. Para alguns, o acessório de cowboy combinava com um treinador que vivia sua "última chance", após ser demitido em dois empregos anteriores, que somaram 15 meses no total.
No Estádio Monterrey, no México, a equipe de Potter mostrou que veio para competir. A Suécia aplicou uma goleada de 5 a 1 sobre a Tunísia, na estreia do Grupo F, com uma atuação implacável.
Para um técnico demitido pelo West Ham em setembro, após passagem sem sucesso pelo Chelsea, poucos esperavam que ele levasse uma seleção a uma vitória na Copa do Mundo neste verão. "Você nunca sabe, essa é a verdade", disse Potter após o jogo. "Você nunca sabe como as coisas vão acontecer. Estávamos otimistas porque confiávamos no trabalho. Mas até o jogo ser disputado, você não tem certeza. Essa é a beleza do esporte."
Os cinco gols marcados contra a Tunísia superam os quatro que a Suécia fez em toda a fase de grupos das eliminatórias, sob o comando do antecessor Jon Dahl Tomasson. Foi com o dinamarquês que as chances de classificação direta se tornaram impossíveis. Potter assumiu em outubro, mas não conseguiu evitar o último lugar do grupo, sem nenhuma vitória em seis jogos, atrás de Suíça, Kosovo e Eslovênia.
A Suécia chegou à repescagem graças ao ranking da Liga das Nações da Uefa. Potter aproveitou a chance para levar o país à Copa e mostrar que ainda tem capacidade para atuar em alto nível. A equipe venceu Ucrânia e Polônia nos playoffs e, após a goleada sobre a Tunísia, está confiante em avançar às fases eliminatórias.
Potter começou a temporada no West Ham, mas foi demitido em setembro, com apenas seis vitórias em 23 jogos na Premier League. A passagem pelo Chelsea também foi difícil, após ter se destacado no Brighton. No entanto, ele parece renovado no cargo da Suécia, país onde iniciou a carreira de técnico, levando o Ostersunds FK da quarta divisão à elite, vencendo a copa nacional e chegando à primeira campanha europeia do clube.
"Me sinto muito sueco quando estou trabalhando", disse Potter à BBC Sport antes do torneio. "Até pareço um pouco sueco. Dois dos meus filhos nasceram na Suécia. Tive sete anos inesquecíveis em Ostersunds." Ele compartilha em suas redes sociais imagens de paisagens naturais, literatura nórdica e eventos culturais.
O retorno à forma do atacante Alexander Isak, do Liverpool, e a parceria com Viktor Gyokeres, do Arsenal, são pontos positivos. Os dois se assistiram para marcar os gols, formando um ataque caro e perigoso para a Suécia, que volta ao cenário mundial após não se classificar para a Copa de 2022, no Catar.
Potter precisa integrar o restante do elenco, já que apenas Victor Lindelof tem experiência em Copas. Apesar disso, a equipe está bem posicionada para chegar às 32 seleções restantes. O próximo desafio será contra a Holanda, no sábado, um teste mais duro que a Tunísia, 56ª no ranking mundial. "Vamos enfrentar outra grande equipe, uma das favoritas", afirmou Potter.
A melhor campanha da Suécia em Copas foi em 1958, quando foi vice-campeã como anfitriã, perdendo para o Brasil de Pelé. O técnico daquela época também era inglês, George Raynor. A Suécia ficou em terceiro lugar em 1994, nos Estados Unidos. Para Potter, os sinais são positivos.