Mercado prevê novo corte da Selic em ciclo de queda histórico
O mercado financeiro espera que o Banco Central anuncie nesta quarta-feira (17) um novo corte de 0,25 ponto percentual na Selic, para 14,25% ao ano. A avaliação é de que este pode ser um dos menores ciclos de queda de juros da história, com a possibilidade de que esta redução seja a última antes de uma pausa no processo de afrouxamento monetário.
A guerra no Oriente Médio, a piora nas expectativas de inflação e os estímulos fiscais do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tornam o cenário mais desafiador. Economistas ouvidos pela Folha avaliam que esses fatores podem levar o BC a endurecer o tom e aumentar a cautela nas próximas reuniões do Copom (Comitê de Política Monetária).
Desde março, quando iniciou a flexibilização dos juros, o Copom reduziu a Selic em 0,5 ponto percentual, com dois cortes seguidos de 0,25 ponto. Ciclos de queda tão curtos ocorreram anteriormente em 2002 e 2004.
Para Ana Madeira, economista-chefe para Brasil do Morgan Stanley, o acordo preliminar entre Estados Unidos e Irã para reabrir o estreito de Hormuz não parece suficiente para guiar a decisão do Banco Central. O banco revisou seu cenário e passou a projetar uma pausa em agosto, após um último corte de 0,25 ponto. A expectativa é que o Copom ajuste sua comunicação para preparar o mercado para mudanças na condução dos juros.
Os dados do boletim Focus mostram um afastamento das projeções para o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) em relação ao alvo de 3%. Para 2026, a estimativa saltou de 5,11% para 5,30%, acima do teto da meta (4,5%). A projeção para 2027 atingiu 4,10% e para 2028 subiu para 3,68%.
A resiliência da atividade econômica, impulsionada por medidas fiscais do governo, é outra preocupação. O economista Luiz Fernando Figueiredo, ex-diretor do BC, afirma que o pacote de estímulos gera um impulso de mais de 1 ponto do PIB, o que conflita com o trabalho do Banco Central. Para ele, as medidas têm viés eleitoreiro e a inflação é o pior dos impostos.
Caio Megale, economista-chefe da XP, destaca que a inflação ficou mais pressionada por motivos que incluem custos de insumos ligados à tecnologia e as chances de um El Niño de fortes proporções. Ele também aponta que a taxa de câmbio, que se depreciou, deixou de ajudar as projeções de inflação. Para Megale, o Copom deve retirar menções a “próximos passos da calibração dos juros”, sugerindo uma pausa em breve.