Julián Quiñones: El que regateó a la miseria
O atacante Julián Quiñones, de 29 anos, autor do primeiro gol da Copa do Mundo de 2026 na partida entre México e África do Sul, tem uma história de superação que chama a atenção. Nascido em Magüí Payán, na Colômbia, uma região próxima à fronteira com o Peru, ele cresceu em um lugar onde, segundo relatos, as opções de vida se resumem a três: ser jogador de futebol, guerrilheiro ou narcotraficante.
A cidade é marcada pela pobreza, com casas feitas de chapas e madeira, e pelo abandono das autoridades. Em 2017, uma masacre deixou 13 mortos pelas mãos do Exército de Libertação. A mãe de Quiñones, Gloria, que o criou sozinha com a ajuda da avó, ainda vive no local. O jogador, que nunca conheceu o pai, já estava no México quando a tragédia ocorreu, jogando pelo time dos Lobos da BUAP.
Quiñones sempre teve o futebol como meta. Aos 16 anos, fez um teste para uma escolinha de futebol com chuteiras furadas, onde os dedos dos pés apareciam. Ele marcou quatro gols naquele dia e foi aceito. "Quero tirar minha família da frente", disse na época, segundo relatos. O clube tinha ligação com o Tigres, do México, e ele logo foi levado para o país.
Em 2015, pelo time B do Tigres, ele fez 15 gols em 17 jogos. A Colômbia o convocou para a seleção sub-20 em 2017, mas em 2023, quando o país tentou chamá-lo para a equipe principal, Quiñones já havia decidido se naturalizar mexicano. "Ninguém é profeta em sua terra", disse a mãe dele, que apoiou a decisão.
No México, ele conquistou seis títulos da liga nacional e quatro campeonatos de campeões, jogando por Tigres, Atlas e América. Há dois anos, foi para a Arábia Saudita, contratado pelo Al Quadisiyah, onde marcou 53 gols, sendo 33 na última temporada. Ele superou Cristiano Ronaldo por cinco gols e Ivan Toney, atacante da seleção inglesa, por um.