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JBS para produção de cortes para China no sábado

Por Diário de Goiânia · · 3 min de leitura

A JBS, maior empresa de carne bovina do mundo, deve parar de produzir cortes específicos para a China a partir deste sábado (20/6). A companhia tem 18 de suas 34 plantas de bovinos no Brasil habilitadas para o mercado chinês. Renato Costa, CEO da Friboi, uma das marcas do grupo, afirmou que, após essa data, as operações vão focar apenas nos embarques. O objetivo é evitar que as cargas cheguem ao destino fora da cota.

Segundo cálculos da indústria nacional, as exportações estão seguras até o fim deste mês, sem risco de ultrapassar a cota de 1,1 milhão de toneladas em 2026. Dados do governo chinês mostram que o Brasil já ocupou mais de 50% do volume autorizado até 9 de maio. Como há muitas cargas em trânsito, com quase 154 mil toneladas exportadas no mês passado, frigoríficos e importadores estão cautelosos.

"Nós estamos organizados para, a partir do dia 20, só concentrar embarques, não produção. Então, a partir do dia 20, concentra os embarques, define os portos, organiza, porque se chegar fora da cota, tem uma sobretaxa muito alta", disse o executivo em conversa com jornalistas no Fórum Internacional da Agropecuária (Fiap), em Campo Grande. "O que entra hoje é 12% dentro da cota, fora da cota são mais 55%, vai para 67%. Aí realmente inviabiliza", acrescentou.

No início de junho, a reportagem mostrou que algumas unidades habilitadas para a China já haviam reduzido o ritmo de abates e produção de cortes específicos para aquele mercado. Costa, que também preside o conselho da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), disse que a estratégia de adaptação ao preenchimento da cota depende de cada empresa, conforme sua dependência do mercado chinês. "Nós, como JBS, não vemos impacto de volume, nós distribuímos isso. Já o preço é o mercado que vai ditar", afirmou.

O executivo ressaltou que a indústria não vê possibilidades de ampliação da cota brasileira em 2026. Ele pontuou que o setor e o governo apresentaram a Pequim pedidos para que volumes não preenchidos por outros países exportadores sejam redistribuídos ao Brasil. A cota total de todos os fornecedores é de 2,6 milhões de toneladas. "O ministro [da Agricultura] André de Paula, na feira Sial na China, já colocou isso, para que, no final, quem não cumpriu a cota, faz-se a redistribuição da cota. Aí a gente vê como possibilidade, mas dentro desse ano, não", pontuou.

Nessa quinta-feira (18/6), o governo chinês informou que a Austrália atingiu 100% da cota de 205 mil toneladas. A partir de sábado (20/6), as cargas australianas que chegarem aos portos chineses serão sobretaxadas em 55%.

Mercado interno

Enquanto os desafios nas exportações aumentam, o mercado interno tem respondido bem para a JBS. Costa disse que a campanha promocional da Copa do Mundo de futebol da Fifa surtiu efeito. Na primeira semana do torneio, as vendas bateram recorde. "Estamos muito, mas muito bem, fomos bem surpreendidos (...) Foi nosso recorde de vendas, pois analisamos por semanas. Então, foi a semana que nós mais vendemos", afirmou. A campanha inclui produtos Seara e Maturatta, marcas da JBS.

Segundo Costa, os horários dos jogos, a maioria noturnos, favoreceram o aumento no consumo, pois a maioria das pessoas já está em casa. Com isso, a torcida do executivo só aumenta para que a seleção brasileira avance na competição e chegue à final, prevista para 19 de julho. Além da perspectiva de conquista do sexto título brasileiro, mais jogos vão favorecer as vendas da empresa. "Estamos satisfeitos, vamos torcer mais pelo Brasil. O impacto tem sido positivo", afirmou.

Costa disse também que o uso de canetas emagrecedoras tem influenciado o consumo de carne no país. "Isso tem tido um efeito e vem comprovar o que a gente sempre acreditou, que a proteína é a principal fonte de tudo, de energia do corpo humano como um todo. O futebol e essa mudança do hábito alimentar têm incentivado muitas vendas", concluiu.

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