Golpes no Brasil: 1/3 exige pagamento por Pix
Um terço dos golpes digitais aplicados no Brasil exige pagamento exclusivamente via Pix. A informação é da segunda edição do relatório "A Jornada dos Golpes", do Observatório Lupa, núcleo de pesquisa da Agência Lupa. O estudo analisou 115 conteúdos fraudulentos que circularam pelo país entre maio de 2024 e abril de 2026.
Em 74% dos casos, os criminosos usam nomes de empresas, instituições e personalidades para dar credibilidade à fraude. Entre as marcas mais usadas estão Mercado Livre e Nubank, cada uma com quatro ocorrências. Shopee, Serasa e Rede Globo também aparecem na lista.
Cerca de 71% dos golpes prometem vantagens financeiras, como indenizações, promoções, vagas de emprego e benefícios sociais. A pesquisadora Beatriz Farrugia afirmou que os criminosos reutilizam estratégias que já funcionaram, adaptando a narrativa ao momento e explorando a confiança em marcas e figuras públicas.
Ela disse que as fraudes se tornam previsíveis, o que abre espaço para ações preventivas. O estudo mostrou que 66% dos golpes distorcem fatos reais, usando reportagens, comunicados oficiais e campanhas legítimas para enganar as vítimas.
Farrugia destacou que o uso de elementos reais dificulta a identificação do golpe. A fraude não nasce de uma informação totalmente inventada, mas da adulteração de fatos verdadeiros e marcas conhecidas.
A maioria das fraudes começa em redes sociais como Facebook, Instagram e TikTok. Depois, migra para formulários online e aplicativos de mensagens. O WhatsApp apareceu em quase 65% dos golpes analisados entre maio de 2025 e abril de 2026, sendo o principal canal de circulação.
O relatório alerta que o combate aos golpes online exige ação coordenada entre empresas de tecnologia, instituições financeiras, órgãos públicos, imprensa e usuários.