FHC: História, memória e opinião
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso completa 95 anos. Em artigo publicado no Estadão, o ex-ministro da Fazenda Pedro Malan faz uma homenagem a FHC e destaca sua contribuição para a modernização do Brasil. Malan também faz um apelo por uma resposta com visão de futuro para a situação atual do país.
O artigo recorda o Programa de Ação Imediata, divulgado em 13 de junho de 1993, menos de um mês após FHC assumir o Ministério da Fazenda. O documento, segundo Malan, é um marco histórico e começa com uma frase que mostrava a gravidade da inflação no Brasil na época: "Somente quatro países do mundo tiveram inflação superior a 1.000% (em 1992): a Rússia, a Ucrânia, o Zaire (Congo) e o Brasil."
O programa listava cinco desafios principais para o país. Entre eles, a consolidação da democracia, a superação dos desequilíbrios sociais, a retomada do crescimento econômico, o fim da superinflação e o ajuste das contas públicas. O texto afirmava que as forças políticas precisavam agir com firmeza, deixando de lado interesses menores.
Meses depois, em dezembro de 1993, foi apresentada a Exposição de Motivos nº 395, chamada de "Programa de Estabilização". O documento trazia um diagnóstico da crise fiscal e propostas em três frentes: equilíbrio orçamentário para o biênio 1994-1995, sugestões para a revisão constitucional e uma reforma monetária. Essa reforma criou a Unidade Real de Valor (URV), que depois deu origem ao Real. Esse conjunto de medidas ficou conhecido como Plano Real.
Segundo o artigo, as sugestões para a revisão constitucional eram parte do programa de estabilização. O texto da Exposição de Motivos, escrito pelo próprio FHC, que havia participado da Assembleia Constituinte, dizia que faltou aos constituintes de 1988 a percepção realista sobre o financiamento do gasto social e a decisão de reconstruir o Estado com competência e eficiência.