Coreia do Sul usa racismo anti-asiático na Copa
Quem acompanhou os amistosos pré-Copa do Mundo da Coreia do Sul contra Trinidad e Tobago e El Salvador notou algo diferente em campo, especialmente nas camisas. O astro Son Heung-min usou a camisa 13, em vez da tradicional 7. O zagueiro Kim Min-Jae trocou a 4 pela 2. Paik Seung-Ho usou a 22, ao invés da 8. A troca lembrou uma estratégia da seleção na Copa de 2018, que usou o racismo contra asiáticos a favor da equipe.
Pouco antes da estreia na Rússia, em junho de 2018, surgiram informações de que os suecos estavam enviando espiões aos jogos preparatórios e treinos da Coreia do Sul. Naquela equipe, poucos atletas eram conhecidos globalmente. Dos 23 convocados, Son era o principal astro, mas a maioria atuava no futebol sul-coreano ou japonês, longe das grandes ligas.
Com isso em mente, o técnico Shin Tae-yong tentou usar em campo o conceito racista de que “todos os asiáticos são iguais” e ordenou que seus atletas trocassem de camisas. “É muito difícil para os ocidentais distinguirem entre asiáticos”, explicou Shin. “Queríamos confundir a equipe sueca. Foi por isso que fizemos isso.”
Em campo, a Coreia do Sul perdeu para a Suécia por 1 a 0 e para o México por 2 a 1. A equipe levou para Seul o feito de ter eliminado a Alemanha, que defendia o título, com uma vitória por 2 a 0 em Kazan. Não está claro se o atual técnico Hong Myung-bo usou a tática dos números antes da Copa do Mundo 2026, já que hoje o número de atletas em ligas de primeira linha é maior.
Mesmo alegando finalidades esportivas, Shin Tae-yong expôs uma antiga prática racista contra pessoas de origem asiática, que se perpetua no meio esportivo. Em 2024, o meia Rodrigo Bentancur, então companheiro de Son no Tottenham, pediu uma camisa do time em um programa de TV no Uruguai. A resposta foi desastrosa: “Do Sonny? Poderia ser primo do Sonny também, já que todos se parecem.”
O jogador uruguaio se desculpou, mas foi punido com 7 jogos e uma multa equivalente a mais de R$ 500 mil na Inglaterra. Son perdoou Bentancur e disse que “tudo estava superado”. Também em 2024, o atacante Hwang Hee-chan denunciou o zagueiro Marco Curto por insultos racistas durante um amistoso. Curto foi punido pela Fifa com 10 partidas de suspensão, sendo cinco cumpridas efetivamente, e com um período de avaliação de dois anos.