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Coreia do Norte retira embaixador de Londres

Por Diário de Goiânia · · 2 min de leitura

A Coreia do Norte retirou seu embaixador no Reino Unido como protesto contra as sanções impostas a um acampamento infantil. O local é acusado de doutrinar crianças ucranianas que teriam sido deslocadas à força para o país asiático.

A Embaixada norte-coreana em Londres confirmou à publicação NK News que Pyongyang chamou de volta o diplomata Mun Myong-sin. As relações bilaterais foram reduzidas ao nível de encarregado de negócios até que as sanções ao Acampamento Infantil Internacional Songdowon, na cidade costeira de Wonsan, sejam suspensas.

Segundo a missão diplomática, a medida é uma resposta a um "ato extremamente provocador" do governo britânico. O Reino Unido defendeu a imposição de sanções que classificou como "atrozes, antiéticas e com motivações políticas".

No início de maio, o Reino Unido anunciou sanções que incluíam o congelamento de ativos contra o acampamento Songdowon. A justificativa foi que o local "participa e presta apoio ao programa do Governo russo para a deportação forçada e a reeducação de crianças ucranianas". Segundo Londres, isso "mina ou ameaça a integridade territorial, a soberania e a independência da Ucrânia", no contexto da invasão russa.

Dias depois, o Ministério dos Negócios Estrangeiros norte-coreano publicou um comunicado. O texto afirmou que as sanções tinham como objetivo manchar a imagem da Coreia do Norte e as relações de amizade entre Pyongyang e Moscou. O governo norte-coreano disse que a medida associa "injustificadamente" o centro à "questão infundada da deslocação forçada de crianças ucranianas".

O ministério acrescentou que "o Governo britânico será totalmente responsável por todas as consequências decorrentes do seu grave ato hostil" contra a Coreia do Norte. A informação foi divulgada pela agência de notícias norte-coreana KCNA.

A Comissão Internacional Independente de Investigação para a Ucrânia da ONU documentou mais de 1.200 transferências de crianças ucranianas por parte da Rússia. Na maioria dos casos, os familiares ou as autoridades ucranianas não foram informados. A comissão concluiu que se trata de crimes contra a humanidade.

Kiev denunciou milhares de "sequestros" de crianças a partir de territórios ocupados desde o início da invasão russa. Em dezembro, a Ucrânia acusou a Rússia de enviar crianças ucranianas para a Rússia, Bielorrússia e Coreia do Norte.

Um relatório da ONG ucraniana Centro Regional de Direitos Humanos, apresentado no Senado dos Estados Unidos, apontou que pelo menos dois menores ucranianos foram levados para Songdowon: Misha, de 12 anos, e Liza, de 16.

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