Braskem ocultou alertas de afundamento desde 1988
Documentos revelam que a Braskem tinha conhecimento, desde 1988, de alertas sobre o risco de afundamento do solo em Maceió, mas manteve as informações ocultas. A descoberta foi publicada pelo colunista Carlos Madeiro, do UOL, e traz à tona registros que indicam que a empresa sabia dos perigos da mineração de sal-gema na capital alagoana há décadas.
Os papéis mostram que relatórios técnicos já apontavam a possibilidade de subsidência (afundamento do terreno) muito antes dos primeiros sinais visíveis à população. Apesar disso, a Braskem não teria compartilhado esses dados com as autoridades ou com os moradores das regiões afetadas, que só começaram a sentir os problemas anos depois.
A revelação dos documentos ocorre em meio a uma escalada de problemas judiciais e financeiros para a petroquímica. As ações da Braskem (BRKM5) lideraram as perdas do Ibovespa nesta quarta-feira (18), com uma queda de mais de 10%. O movimento foi atribuído ao agravamento da pressão jurídica sobre a companhia, que enfrenta um impasse com credores e novos riscos legais em Alagoas.
De acordo com o G1, o valor de mercado da empresa despencou com a notícia. Analistas apontam que a possibilidade de indenizações milionárias e a incerteza sobre o futuro das operações na região estão entre os principais fatores que assustam os investidores. A Braskem ainda não se manifestou oficialmente sobre o conteúdo dos documentos históricos revelados pela coluna.
O caso reacende o debate sobre a responsabilidade de empresas em situações de desastre ambiental e urbano. Moradores dos bairros atingidos em Maceió aguardam uma definição sobre as indenizações, enquanto a Justiça analisa as ações civis públicas movidas contra a petroquímica.