Artilheiro uzbeque jogou com ídolo brasileiro
O atacante Eldor Shomurodov, maior artilheiro da história do Uzbequistão, relembrou o dia em que entrou em campo com o brasileiro Rivaldo, camisa 10 na conquista do penta da seleção brasileira em 2002. “Foi incrível! Um dos melhores jogadores do mundo me levou para o gramado! Nunca vou esquecer aquele momento”, disse Shomurodov ao The Guardian. O jogador estreia nesta quarta-feira na Copa do Mundo pelo Uzbequistão, às 23h, contra a Colômbia.
Shomurodov tinha 13 anos quando conheceu Rivaldo. O brasileiro atuou no Uzbequistão entre 2008 e 2010. A história de Rivaldo no país se mistura com a de Samuel Eto'o. O camaronês, grande destaque do Barcelona em 2008, era a aposta do Bunyodkor para causar impacto no país. O clube e o craque chegaram a um acordo e anunciaram Eto'o oficialmente, mas a Inter de Milão furou a negociação e levou o camaronês para a Itália.
Para compensar a não contratação de Eto'o, o Bunyodkor buscou Rivaldo, que na época jogava na Grécia. O brasileiro assinou um contrato de dois anos e estreou contra o Mash’al, na cidade de Muborak, em 11 de setembro de 2008. Logo na primeira partida, Rivaldo marcou os dois gols da vitória do Bunyodkor. Shomurodov viu tudo de perto. Foi nesse dia, na estreia do ex-camisa 10 da seleção brasileira no campeonato uzbeque, que o futuro jogador entrou em campo com Rivaldo. No país, o brasileiro jogou 63 partidas e marcou 34 gols.
Eldor Shomurodov nasceu numa família de jogadores de futebol e fazendeiros. “Primeiro, a gente tende a cuidar de animais e, só depois, vamos ao estádio”, disse o atleta ao The Guardian. O pai, os dois tios e o irmão mais velho foram jogadores de futebol. Aos 12 anos, ele deixou o distrito de Jarkurgan e foi jogar pela base do Mash’al, primeiro adversário de Rivaldo no campeonato uzbeque. Atualmente, acumula passagens por outros sete clubes, incluindo a Roma, e hoje disputa o campeonato turco pelo Basaksehir FK.
Pela seleção nacional, Shomurodov estreou em 2015. Desde então, disputou 92 partidas e marcou 44 gols, tornando-se o artilheiro isolado de seu país. Nesta Copa, ele é uma das esperanças de gols do Uzbequistão, que participa de seu primeiro Mundial.
A classificação para a Copa de 2026 veio com uma campanha de dez vitórias, cinco empates e apenas uma derrota nas Eliminatórias da Ásia. Com uma rodada de antecedência, o país carimbou a vaga após um empate em 0 a 0 com os Emirados Árabes Unidos. O resultado garantiu o segundo lugar do Grupo A na terceira fase da competição.
O país asiático teve a independência declarada em 1991. Será a terceira ex-república da União Soviética a disputar uma Copa do Mundo, juntando-se à Rússia e à Ucrânia. Além da classificação inédita, o Uzbequistão sediou a Copa do Mundo de futsal em 2024 e garantiu um resultado histórico nos Jogos Olímpicos de Paris. Ficou em 13º lugar no geral no quadro de medalhas, melhor colocação na era pós-soviética. Foram oito ouros, duas pratas e três bronzes. O desempenho foi puxado pelos esportes de combate: cinco ouros no boxe e medalhas também em lutas, judô e taekwondo.