quarta-feira, 15 de julho de 2026Noticias em tempo real
Diário de Goiânia
Insights

Ânima compra FMU por R$ 410 milhões

Por Diário de Goiânia · · 3 min de leitura

A Ânima anunciou a compra da FMU por R$ 410 milhões. O pagamento será dividido em duas parcelas: R$ 240 milhões à vista e os R$ 170 milhões restantes em 31 de dezembro de 2029, ou três anos após o fechamento da operação, o que ocorrer primeiro.

Considerando a dívida da FMU, o valor total da transação (enterprise value) foi de R$ 560 milhões. Isso representa um múltiplo EV/EBITDA de 10,6 vezes, ou 6,7 vezes após considerar as sinergias. Para o Citi, o preço pago foi alto, já que a própria Ânima negocia a 3,3 vezes na Bolsa. Em uma análise de arbitragem de múltiplos, o banco afirmou que a transação sugere uma queda potencial de 36% se a empresa combinada negociasse no múltiplo atual da Ânima.

A FMU pertencia ao fundo Camp Nou, gerido pela Farallon Capital. Curiosamente, o fundo havia comprado o negócio da própria Ânima em 2020 por R$ 500 milhões. Na época, ao adquirir os ativos da Laureate no Brasil por R$ 4,4 bilhões, a Ânima decidiu vender a FMU para acelerar a aprovação da transação pelo CADE.

Desde então, a FMU enfrentou dificuldades financeiras, viu sua participação no mercado presencial de São Paulo cair de 9% para 6% e passou por uma recuperação judicial, cujo plano foi homologado em fevereiro deste ano pelos credores.

“Nos últimos anos, a FMU acabou ficando muito focada na bilheteria e não no palco. Isso afetou muito seus resultados”, disse o CFO da Ânima, Átila Simões. “Mas com os passivos reestruturados, achamos que agora ela está pronta para voltar a crescer. Eles têm uma equipe muito boa, de alto nível, e uma marca com uma reputação muito forte. São 58 anos de tradição, com cursos muito fortes em direito e saúde.”

A FMU tem seis campi em São Paulo, 214 polos de ensino a distância (EAD) e uma base de 51 mil alunos. Na capital paulista, ela é a quinta maior universidade em volume de alunos no presencial, atrás de instituições como UNIP, Uninove e Anhembi Morumbi. Nos últimos 12 meses, a FMU faturou cerca de R$ 280 milhões, com um EBITDA de R$ 52 milhões e uma margem de aproximadamente 20%.

A Ânima acredita que, ao integrar a FMU ao seu ecossistema, a universidade conseguirá recuperar rapidamente o market share perdido e dobrar sua margem, convergindo para a margem operacional da companhia, que é de 42%. “Nossas instituições rodam com uma margem entre 34% e 47%. No nosso negócio, a escala é muito importante: só de compartilhar as estruturas e custos, a FMU já deve ter um ganho de margem importante”, disse a CEO da Ânima, Paula Harraca.

Paula afirmou ainda que a FMU deve agregar capacidades que a Ânima não tem, principalmente o conhecimento em operação digital e semipresencial, áreas onde a FMU tem 24 mil e 4 mil alunos, respectivamente. Com o novo marco regulatório da educação a distância, aprovado em meados do ano passado, cursos de saúde, engenharia e pedagogia, que antes podiam ser 100% online, terão que migrar para o semipresencial.

“Isso vai gerar uma transformação estrutural do setor. É um cenário desafiador e por isso o timing dessa transação é muito importante, porque é importante estar preparado para sair na frente”, disse Paula. Segundo ela, a FMU ajuda nessa frente por já ter expertise em EAD e semipresencial, crescendo acima do mercado nos últimos anos, e por ter infraestrutura pronta, com campi grandes e laboratórios, para receber os cursos que terão que migrar.

A aquisição da FMU deve aumentar a alavancagem da Ânima de 2,39 vezes o EBITDA no fechamento do primeiro trimestre para cerca de 2,73 vezes. Segundo o CFO, a companhia deve retomar rapidamente a trajetória de desalavancagem conforme a geração de caixa e o EBITDA aumentem. A Ânima vale R$ 1,17 bilhão na Bolsa, com sua ação caindo 22% nos últimos 12 meses. No final do primeiro trimestre, a companhia tinha uma posição de caixa de R$ 1,8 bilhão.

Compartilhar: WhatsApp Facebook X
Leia também