14/06/2026
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Tamandaré: bares e selaria dividem espaço no bairro mais tranquilo de Campo Grande

Tamandaré: bares e selaria dividem espaço no bairro mais tranquilo de Campo Grande

O bairro Jardim Seminário, localizado na região norte de Campo Grande, próximo à UCDB (Universidade Católica Dom Bosco), é apontado por moradores como um dos mais tranquilos da capital. A poucos minutos do Centro, o local reúne facilidades urbanas e elementos típicos do interior, como pequenas chácaras, hortas e uma rotina marcada pelo sossego.

A principal artéria da região é a Avenida Tamandaré. A via concentra o fluxo de veículos, o transporte coletivo e parte importante da vida econômica e social do bairro. Em poucos quilômetros, convivem choperias, lanchonetes, conveniências e bares frequentados por universitários. Na mesma avenida, está localizada uma tradicional selaria artesanal, tocada há décadas por Sebastião Inácio de Andrade, de 73 anos.

Apesar do movimento intenso da avenida, ruas transversais apresentam uma realidade diferente, com baixa circulação de veículos, áreas arborizadas e atmosfera que lembra o campo.

A história da região está ligada à Igreja Católica. Segundo o aposentado Onofre Damasceno, de 66 anos, a área pertencia à Diocese de Campo Grande antes de ser loteada. Filho de um funcionário da Igreja, Onofre acompanhou as transformações da região. Ele lembra que a chegada do asfalto e da UCDB impulsionou o desenvolvimento do bairro. “É um bairro tranquilo para viver. Dá para respirar ar puro. Acho que é um dos mais tranquilos de Campo Grande”, afirma.

No terreno onde mora, Onofre ajuda a cuidar de uma horta orgânica. A proximidade com uma área de reserva faz com que espécies silvestres apareçam com frequência, como quatis, aves e jiboias. “Tem quati, tem jiboia, tem muito animal por aqui. Eles aparecem porque tem a reserva. Mas não é perigoso. A jiboia mesmo não tem veneno”, diz.

As raízes religiosas do bairro permanecem visíveis. Muitas ruas carregam nomes ligados à tradição católica, como São Simão, Santo Aleixo e Santo Antão.

O doutorando em Educação Wallace José de Lima, de 32 anos, natural de Alto Taquari (MT), chegou a Campo Grande em 2019 para estudar História. Para ele, segurança e praticidade são diferenciais do bairro. “Nunca tive problema de assalto ou alguma situação de insegurança. Tem mercado, açougue e conveniências perto”, relata. Wallace destaca que o bairro oferece opções de lazer, como conveniências, choperias e bares universitários próximos da UCDB.

O servidor público Leomar Pretti, de 52 anos, conta que a expansão da universidade impulsionou o crescimento da região. Quando chegou, muitas ruas ainda eram de terra. “Hoje melhorou bastante. O bairro é acolhedor, pacífico e muito mais estruturado”, afirma. Para ele, o principal atrativo é o equilíbrio entre natureza e comodidade. “É um lugar para quem gosta de sossego e harmonia com a natureza. Você tem uma sensação de área rural, mas com toda a infraestrutura da cidade.”

O artesão Sebastião Inácio de Andrade aprendeu o ofício de selaria com o pai e mantém a tradição no bairro. Ele viu o movimento aumentar e novas construções ocuparem espaços antes vazios. “Quando cheguei, muitas dessas casas não existiam. Hoje cresceu bastante”, lembra. Apesar das mudanças, ele acredita que o bairro conservou a tranquilidade. “A melhor coisa daqui é a tranquilidade. É bem sossegado. E tem tudo perto: mercado, posto de saúde, comércio. É muito bom viver aqui.”