Uma série de televisão sobre o acidente com césio-137 em Goiânia tem recebido críticas de diferentes setores. A produção, lançada recentemente por uma grande plataforma de streaming, é acusada de ignorar a participação de profissionais locais e de não retratar com fidelidade a realidade da cidade e das vítimas.
De acordo com relatos, a série teria sido filmada em outro estado, sem a consulta ou incorporação de depoimentos de pessoas que vivenciaram diretamente o desastre radiológico. Especialistas e historiadores que estudam o caso há anos também apontam imprecisões históricas na narrativa apresentada.
O acidente com césio-137 ocorreu em Goiânia em 1987, quando um aparelho de radioterapia foi encontrado em um instituto de radioterapia desativado. O material radioativo foi manipulado por várias pessoas, levando à contaminação direta de centenas de cidadãos. O episódio é considerado um dos maiores acidentes radiológicos do mundo fora de usinas nucleares.
As críticas destacam que a série optou por um tom excessivamente dramático e ficcional, em detrimento da precisão dos fatos. Familiares de vítimas e sobreviventes manifestaram descontentamento, afirmando que a dor e a luta por justiça ao longo de décadas foram simplificadas para criar um produto de entretenimento.
Representantes de associações de vítimas esperavam que uma produção de grande alcance servisse para educar o público e manter viva a memória do ocorrido. No entanto, avaliam que a oportunidade foi perdida, pois a série não contribui para um entendimento mais profundo das causas e consequências do acidente.
Além disso, a economia local de Goiânia e o turismo não foram beneficiados, já que as gravações ocorreram em outra região. Profissionais da área audiovisual de Goiás também relataram não ter sido procurados para colaborar com a produção, perdendo-se a chance de inserir um olhar regional autêntico na obra.
A discussão sobre a série reacendeu o debate sobre a ética ao retratar tragédias reais na ficção. A responsabilidade de produtores e roteiristas em equilibrar entretenimento e respeito às histórias de vida afetadas por tais eventos volta ao centro das atenções. A memória coletiva de Goiânia, marcada pelo trauma do césio-137, exige uma representação cuidadosa e sensível.
