17/01/2026
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Saúde municipal recebe 5% das emendas impositivas em Goiânia

A rede de saúde de Goiânia recebeu apenas cerca de 5% das emendas parlamentares impositivas que foram indicadas pelos vereadores para o orçamento de 2026. Do total aproximado de R$ 185 milhões, apenas R$ 9 milhões foram destinados diretamente à saúde municipal, apesar da legislação que exige que 50% desse valor seja aplicado na área.

A maior parte das emendas voltadas para a saúde foi direcionada a entidades sociais, as quais implementam ações onde os vereadores indicam. As atividades que recebem esses recursos incluem consultas, exames e mutirões de atendimento, além de iniciativas como a distribuição de óculos. Embora essas ações atendam a necessidades imediatas da população, elas não têm impacto duradouro na infraestrutura da saúde pública e tendem a ser mais visíveis durante períodos eleitorais.

Dos 37 vereadores da cidade, apenas 16 destinaram valores para a rede própria de saúde em 2026. Isso significa que 21 vereadores não alocaram nenhum recurso para esse setor, mesmo havendo cerca de R$ 5 milhões disponíveis para cada parlamentar por meio das emendas impositivas e a obrigação de aplicar ao menos metade desse valor na saúde.

Entre os vereadores que destinaram recursos, Thialu Guiotti, do Avante, se destacou ao indicar R$ 1,5 milhão, que será usado para custeio e investimentos em saúde. Major Vitor Hugo, do PL, também destinou R$ 1,2 milhão, a maior parte desse valor para aquisição de mobiliário e custeio de serviços ambulatoriais, que estão atrelados ao CAIS Cândida de Morais, uma unidade que passará por reformas.

Há preocupações entre profissionais de saúde e a comunidade acerca do possível fechamento das urgências e emergências dessa unidade, uma possibilidade que foi negada pelo prefeito Sandro Mabel.

A vereadora Rose Cruvinel, médica e do UB, indicou R$ 1,23 milhão focados no Centro de Atenção Integral à Saúde e na manutenção da rede municipal. O vereador Bessa destinou pouco mais de R$ 1,35 milhão, todos voltados para o custeio de serviços, sem indicar obras para a melhoria da estrutura.

O médico Dr. Gustavo reservou apenas R$ 200 mil para manutenção e aquisição de equipamentos para três unidades básicas de saúde, além de um projeto de educação em primeiros socorros. Outros vereadores, como Professor Edward, Coronel Urzêda e Sanches da Federal, também indicaram valores intermediários para medidas de custeio e aquisição de equipamentos diversos.

Na parte inferior da tabela de destinação, Heyler Leão alocou R$ 135 mil e Markim Goyá, R$ 101,2 mil. Oséias Varão destinou R$ 99,6 mil e Cabo Senna apenas R$ 15 mil, que é considerado um valor simbólico diante da previsão orçamentária disponível para cada vereador.

Em contrapartida, a vereadora Kátia, do PT, adotou uma abordagem diferente ao destinar R$ 3,35 milhões, cerca de 70% de sua cota de emendas, diretamente ao setor público com foco na saúde e educação. Ela direcionou esses recursos essencialmente à Prefeitura de Goiânia, à Universidade Federal de Goiás e ao Instituto Federal de Goiás. Essa decisão se destaca, visto que muitos vereadores preferem direcionar suas emendas a entidades privadas ou do terceiro setor, deixando um percentual reduzido para fortalecer a estrutura de serviços públicos.

Um relatório sobre as emendas impositivas revela que 19 organizações não governamentais estão recebendo, cada uma, mais de R$ 2 milhões em recursos, o que representa cerca de 44% do orçamento impositivo da cidade. Muitas dessas entidades atuam nas áreas de saúde, assistência social, educação e cultura e têm recebido verbas em anos anteriores, criando uma concentração dos recursos em um número limitado de organizações.

Esse padrão observado em 2026 é semelhante ao ano anterior, em que apenas R$ 4,1 milhões de um total de R$ 160 milhões em emendas impositivas foram destinados a unidades de saúde da rede municipal. Nessa ocasião, somente seis dos 35 vereadores da legislatura anterior direcionaram verbas para estruturas públicas, enquanto a maioria dos recursos foi alocada para entidades privadas. A legislação pertinente permite que essas organizações gerenciem os fundos com mais autonomia, embora a fiscalização dependa do cumprimento de normas de convênios com a administração pública.