A oposição na Câmara dos Deputados decidiu boicotar uma reunião da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), que é uma das mais importantes do Congresso. O objetivo desse boicote é evitar que sejam discutidos assuntos que não envolvam a anistia para os presos em razão dos eventos do dia 8 de janeiro. Para isso, parlamentares da oposição e de partidos do centro se uniram e não compareceram à sessão realizada na terça-feira, 1º.
Devido à ausência dos deputados, não foi possível reunir o número mínimo de membros para dar início à reunião, levando o presidente da CCJ, Paulo Azi, a encerrar a sessão sem que houvesse qualquer deliberação. Essa estratégia de obstrução foi organizada junto aos líderes do Partido Liberal, com a intenção de paralisar comissões que não são lideradas por integrantes da oposição.
Além da CCJ, também há um esforço concentrado na Comissão de Segurança Pública, presidida pelo deputado Paulo Bilynskyj. Essa comissão foi escolhida como parte da estratégia da oposição para pressionar o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Atualmente, não há uma previsão específica para quando essa obstrução será encerrada. No plenário da Câmara, a estratégia de boicote também está sendo empregada por deputados da oposição e do centro.
A discussão em torno da anistia ganhou força após o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal, aumentando a pressão sobre o Congresso para que a medida seja votada. Uma reunião marcada entre o presidente da Câmara, Hugo Motta, e líderes da oposição não foi confirmada até o momento.
No Senado, as negociações sobre a anistia estão progredindo de forma ainda mais lenta. O senador Magno Malta afirmou que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, está alinhado com o governo atual e com o Supremo Tribunal Federal, o que dificulta a tramitação da proposta. Malta expressou ceticismo em relação à possibilidade de mudanças significativas, destacando que suas razões para se opor a Alcolumbre permanecem inalteradas.
Embora haja dificuldades na tramitação da proposta de anistia no Legislativo, o Partido Liberal se mostra otimista e acredita que é um bom momento para apresentar a pauta. Eles estão avaliando o apoio popular e a quantidade de votos disponíveis para a aprovação da medida.