Economistas e especialistas em cadeia de suprimentos têm uma notícia preocupante: os preços dos alimentos devem aumentar ainda mais. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou na quarta-feira a implementação de tarifas de 10% sobre produtos importados de diversos países. Essa medida será ainda mais severa para cerca de 60 parceiros comerciais que apresentam um déficit comercial persistente com os EUA.
Essas tarifas, conhecidas como “tarifas do Dia da Libertação”, afetarão nações como China, Japão e países da União Europeia, além de regiões remotas. Elas chegam para somar-se às tarifas já existentes que os Estados Unidos impuseram a seus principais parceiros comerciais, como Canadá e México. Para os consumidores, o aumento das tarifas traz a expectativa de altas nos preços de itens básicos de supermercado, como café e açúcar, além de roupas e bens duráveis, como carros e eletrodomésticos.
Ernie Tedeschi, diretor de economia do Budget Lab da Universidade de Yale, estima que essa mudança possa aumentar o nível geral de preços nos EUA em 2,3%, o que deve custar em média US$ 3.800 por ano a cada família. Ele explica que as tarifas já aplicadas ao Canadá e ao México sozinhas podem aumentar os preços em cerca de 1%, ou aproximadamente US$ 1.700 por família. As novas tarifas do “Dia da Libertação” devem resultar em mais 1,3% de aumento, equivalendo a cerca de US$ 2.100.
Esses aumentos de preços devem variar de acordo com o produto. Por exemplo, os itens de vestuário devem sofrer um aumento de aproximadamente 8%. Já produtos básicos, como açúcar e café, podem subir cerca de 1,3%, enquanto frutas e verduras podem ter um aumento em torno de 2,2%. Especialistas afirmam que a dependência de importações para alimentos faz com que essas tarifas possam tornar muitos produtos inacessíveis, especialmente os que são típicos de certas épocas do ano.
O Acordo EUA-México-Canadá (USMCA), que substituiu o antigo Tratado Norte-Americano de Livre Comércio (NAFTA), mantém tarifas zeradas para a maior parte dos produtos agrícolas e têxteis. Contudo, importações de outros locais, como uvas do Peru e bananas das Filipinas, enfrentarão novos aumentos.
Diante dessa situação, tanto consumidores quanto empresas buscarão alternativas para lidar com os novos preços, mas isso pode levar tempo. Tedeschi ressalta que, num primeiro momento, as pessoas podem precisar arcar com os aumentos até encontrarem substitutos adequados para seus produtos favoritos.
Alguns especialistas sugerem que os consumidores comecem a estocar produtos para evitar os aumentos de preços. No entanto, essa prática de compras em excesso pode agravar a situação, levando a uma instabilidade na oferta e contribuindo para o aumento dos preços.
Além disso, os impactos das tarifas não serão sentidos de maneira igual em todas as famílias. Famílias de baixa renda, que geralmente gastam uma maior porcentagem de sua renda em produtos importados, enfrentarão um impacto mais significativo. Estima-se que elas gastarão até duas vezes e meia mais em relação à sua renda do que famílias de alta renda.
Os produtos eletrônicos também devem sofrer grandes aumentos, com laptops e tablets podendo ter altos que variam entre 46% e 68%, e consoles de jogos entre 40% e 58%. Os automóveis também devem enfrentar tarifas que podem ultrapassar 25%, o que significa um aumento considerável nos preços.
As tarifas afetam não apenas o bolso dos consumidores, mas também empresas, que podem ter que repassar os custos aos seus clientes ou ajustar sua produção e força de trabalho em resposta a um ambiente econômico incerto.