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Sesau cria comissão para revisar mortes em UPAs e CRSs de Campo Grande

Por Diário de Goiânia · · 3 min de leitura
Sesau cria comissão para revisar mortes em UPAs e CRSs de Campo Grande
João Guilherme tinha 9 anos e morreu em abril, após passar por diferentes unidades de saúde de Campo Grande (Foto: Reprodução)

A Secretaria Municipal de Saúde de Campo Grande (Sesau) publicou no Diário Oficial desta sexta-feira (7) a criação de uma comissão permanente para analisar todas as mortes registradas nas UPAs (Unidades de Pronto Atendimento), nos CRSs (Centros Regionais de Saúde) e no Serviço de Atenção Domiciliar da cidade. A medida estabelece uma revisão contínua dos óbitos na rede municipal de urgência e emergência.

A comissão poderá verificar prontuários, laudos de necropsia e relatórios das unidades para identificar falhas no atendimento e situações que exijam esclarecimento. Estarão sob esse acompanhamento as seis UPAs, os quatro CRSs e o serviço de atendimento domiciliar. Conforme a resolução, todos os óbitos ocorridos nesses locais deverão ser avaliados.

Quando houver dúvida sobre a assistência prestada ao paciente, o caso poderá ser classificado como "óbito a esclarecer". A comissão, no entanto, não poderá concluir sozinha que houve erro, negligência, imprudência ou imperícia profissional. Esse tipo de análise continuará sendo atribuição dos conselhos de classe.

Se forem encontrados indícios de irregularidade, o caso deverá ser encaminhado à GRAUE (Gerência da Rede de Atenção às Urgências e Emergências) em até cinco dias úteis. A partir disso, poderão ser acionadas instâncias como a Comissão de Ética Médica ou a Comissão de Ética de Enfermagem. Também haverá comunicação obrigatória à área de segurança do paciente quando a morte estiver ligada a evento adverso grave, falha sistêmica ou problema recorrente nos registros de atendimento.

A comissão deverá produzir relatórios mensais e anuais. Entre os dados que poderão ser avaliados estão idade, sexo, raça ou cor, bairro de residência, causa da morte, tempo entre a entrada na unidade e o óbito, condições de admissão, doenças anteriores, horário e dia da semana em que a morte ocorreu. A intenção é usar essas informações para identificar padrões e corrigir problemas no atendimento. A resolução prevê que os relatórios sirvam de base para mudanças em protocolos, medidas de prevenção, gestão de riscos e ações para redução da mortalidade.

O grupo será formado por seis integrantes titulares: três médicos, dois enfermeiros e um profissional de outra categoria da saúde, além dos respectivos suplentes. Os mandatos serão de dois anos. Os dados analisados serão sigilosos, e os integrantes terão de assinar termo de confidencialidade. A resolução proíbe o compartilhamento de informações de prontuários e discussões dos casos em aplicativos como WhatsApp e Telegram ou em redes sociais.

A criação da comissão não significa que as mortes em UPAs não fossem revisadas antes. O texto cita resolução do CFM (Conselho Federal de Medicina) que já prevê a existência de comissões de revisão de óbitos em hospitais e unidades de pronto atendimento. A novidade é a regulamentação de uma comissão permanente para acompanhar de forma centralizada os óbitos na rede municipal de urgência.

Um caso recente ajuda a dimensionar a importância desse tipo de revisão. João Guilherme Jorge Pires, de 9 anos, morreu em abril após passar por diferentes unidades de saúde de Campo Grande. O menino procurou atendimento várias vezes depois de uma queda, chegou a receber alta e, dias depois, voltou à unidade do Universitário desacordado. Conforme prontuário obtido pelo Campo Grande News, houve problema durante a intubação realizada na unidade. João foi levado à Santa Casa, mas não resistiu. O caso foi registrado na Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) Centro como homicídio culposo e passou a ser investigado.

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