Rio Paraguai: níveis seguem normais, mas devem cair

Os níveis do rio Paraguai seguem dentro da faixa de normalidade para esta época do ano, em um cenário mais favorável do que o registrado nos últimos anos. Apesar disso, os rios da bacia devem continuar baixando no curto prazo, por causa da tendência típica do período de estiagem e da previsão de pouca chuva para os próximos 14 dias.
O cenário consta no 32º Boletim Semanal de Monitoramento Hidrológico da Bacia do Rio Paraguai de 2026, publicado nesta quarta-feira (12) pelo SGB (Serviço Geológico do Brasil). Segundo o levantamento, um dos fatores que contribuem para a situação atual é o volume de chuva acumulado na bacia.
Entre janeiro e julho deste ano, a precipitação acumulada ficou 5% acima da média histórica para o período, considerando a série de 1998 a 2025. A quantidade de chuva ajudou a manter os níveis dos rios em uma condição mais favorável, embora o comportamento da bacia agora seja de redução das cotas.
Em Ladário, em Mato Grosso do Sul, estação utilizada como referência para o acompanhamento do rio Paraguai, o nível registrado é de 2,41 metros. A cota caiu 7 centímetros nos últimos sete dias e 10 centímetros no intervalo de 14 dias.
Mesmo com a redução, o nível permanece dentro da faixa considerada normal para a data, que varia de 1,06 metro a 4,62 metros. Os modelos hidrológicos utilizados pelo SGB indicam que a cota em Ladário pode cair mais 33 centímetros nos próximos 14 dias.
A tendência de baixa também aparece em outros pontos monitorados ao longo do rio. Em Cáceres, já na parte mais próxima das nascentes, o nível está em 1 metro e apresenta tendência recente de descida. Em Porto Murtinho, seguindo o curso do rio em direção à foz, a cota está em 3,14 metros, também com tendência de redução.
Pouca chuva no curto prazo
A perspectiva para as próximas semanas reforça a possibilidade de continuidade da queda dos níveis. De acordo com os modelos GEFS/NOAA, não há indicação de chuva significativa sobre a bacia do rio Paraguai nos próximos 14 dias.
Diante dessa previsão e da projeção de redução das cotas feita pelos modelos hidrológicos, o SGB aponta como tendência a continuidade da descida do rio Paraguai no curto prazo.
Para os meses seguintes, porém, ainda não há um cenário definido para o comportamento das chuvas. A evolução dos níveis dependerá diretamente das precipitações registradas ao longo de toda a bacia e da resposta dos rios a esses volumes.
Um dos pontos de atenção é o início da próxima estação chuvosa. Caso as chuvas atrasem, ocorrendo apenas entre o fim de setembro e o começo de outubro, a redução dos níveis dos rios pode se prolongar e a recuperação das cotas pode ser dificultada.
Por isso, o acompanhamento das chuvas e da resposta dos rios continuará nos próximos meses por meio do Sistema de Alerta Hidrológico da Bacia do Rio Paraguai, mantido pelo SGB.
Situação ainda é diferente de anos anteriores
O boletim mostra que, apesar da tendência de queda típica do período, a bacia chega ao atual período de estiagem em uma condição mais favorável que a observada nos últimos anos. O principal fator apontado é o volume de precipitação acumulado desde o início de 2026.
A situação, no entanto, não significa que os níveis estejam estabilizados ou que a recuperação esteja garantida para os próximos meses. A ausência de chuvas significativas no curto prazo e um eventual atraso no retorno das precipitações podem prolongar a descida das águas.
Os dados utilizados no monitoramento são provenientes da RHN (Rede Hidrometeorológica Nacional), de responsabilidade da ANA (Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico), operada pelo SGB e por demais parceiros.
As projeções são elaboradas a partir de modelos hidrológicos e, portanto, estão sujeitas às incertezas próprias desse tipo de previsão. O acompanhamento em tempo real dos níveis e os mapas de risco podem ser consultados no SACE (Sistema de Alerta de Eventos Críticos).


