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Retomada da UFN3 gera corrida por cursos e empregos em MS

Por Diário de Goiânia · · 4 min de leitura
Retomada da UFN3 gera corrida por cursos e empregos em MS
Casa do Trabalhador em Três Lagoas (Foto: Juliano Almeida)

Pouco mais de três horas depois da partida do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de Três Lagoas, Genilson Nascimento de Araújo da Conceição, 37 anos, enfrentou um dia nublado, com temperatura de 13°C, para ir à Casa do Trabalhador em busca de uma vaga de emprego na UFN3 (Unidade de Fertilizantes Nitrogenados 3).

Por enquanto, 60 vagas foram preenchidas para a retomada da obra, a ser iniciada no dia 1º de julho. Mas a Engeko Engenharia, empresa que, na primeira fase, vai abrir entre 1,5 mil e 2 mil vagas na área civil, como ajudante de obras, pedreiro, carpinteiro, montador de andaime e soldador. Os salários vão de R$ 2 mil a R$ 6 mil, conforme apurado pela reportagem.

“Você escuta essa conversa, abre a internet e hoje só se fala nisso”, disse Genilson. Saiu da Bahia justamente para a obra da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados da Petrobras, trabalhando como soldador, mas o projeto foi frustrado quando a obra foi paralisada. “Saí uns dois meses antes de falir e acabei ficando na cidade”.

Desde então, tem conseguido outras vagas de emprego. “Empregabilidade aqui é boa, fui ficando por aqui mesmo”. Mas continua sempre de olho no canteiro paralisado da UFN3, às margens da BR-158, a cerca de 15 km da zona urbana de Três Lagoas.

Agora, com assinatura dos contratos das empresas responsáveis pela conclusão da unidade, Genilson retomou interesse. Vai tentar buscar vaga de soldador ou montador de andaime na Engeko Engenharia, a contratante desta fase inicial dos trabalhos. Também está estudando curso técnico de mecânica no Senai, almejando emprego que possa durar além da obra.

De olho nesse mercado, muitos trabalhadores estão entrando em contato com a Casa do Trabalhador, órgão público que integra a Funtrab (Fundação Nacional do Trabalho de MS). Sidney Abreu, diretor da Casa do Trabalhador de Três Lagoas, afirma que a procura começou antes mesmo da confirmação oficial da retomada. Segundo ele, desde o ano passado, quando empresas ainda faziam levantamentos para participar da concorrência, trabalhadores já ligavam em busca de informações. “A gente foi bem claro: nada é certeza. A gente está escutando a mesma coisa que você está escutando por aí”, disse.

A Casa do Trabalhador já recebeu contatos de pessoas de outros estados, como Amazonas, São Paulo e da região Nordeste, interessadas em migrar para Três Lagoas. “Agora, com a retomada oficial, vai começar a vir. Vão migrar para cá, não tem jeito”, afirmou.

Os trabalhadores também têm buscado cursos técnicos e de especialização. A demanda chegou ao Senai, que negocia com a Petrobras a execução do programa Autonomia e Renda em Três Lagoas. Segundo o gerente regional da Costa Leste do Senai, Rodrigo Bastos, a previsão é qualificar 1,5 mil pessoas a partir de janeiro de 2027 para atender à demanda criada pela retomada da UFN3.

Entre as formações previstas estão cursos nas áreas de solda, manutenção mecânica, manutenção elétrica, montagem de andaimes, serviços gerais e pintura industrial. Paralelamente, o Senai mantém turmas contínuas em áreas ligadas à manutenção mecânica e elétrica, consideradas estratégicas não só para a obra, mas também para a futura operação da unidade.

Bastos avalia que a procura por qualificação deve crescer a partir de agora, depois de anos de expectativa frustrada em torno da fábrica. “Houve alguns movimentos laterais de que ia retomar e não retomou. Agora, com a assinatura dos contratos de início de obra, as pessoas começam realmente a voltar a se interessar por qualificação para a UFN3”, disse.

De volta à Casa do Trabalhador, Manoel William Bezerra Martins, 29 anos, a exemplo de Genilson, também aguardava ser atendido na quarta-feira gelada. Manoel é do Maranhão e chegou à cidade há quase 13 anos, quando outros parentes vieram trabalhar. À época, a obra da UFN3 estava em andamento, mas ele acabou arranjando outras vagas como montador de andaime.

Agora, também voltou sua atenção para a retomada da obra da usina. “Está muito falado, ainda mais que o Lula veio aí”. Manoel pegou uma carta da Casa do Trabalhador para uma vaga na Engeko, com salário de R$ 3.580 e previsão de 3 anos de obra. Apesar da expectativa com a retomada, ele vê mais dificuldade para crescer profissionalmente na obra do que no setor de celulose, onde acredita haver mais oportunidades de mudança de função. Por isso, tenta ampliar o currículo. “Querer, a gente quer, mas tem que ir atrás”, afirmou. Recém-habilitado, ele diz ter concluído cursos de máquinas pesadas e de soldador. “Agora tem que fazer a pratica para conseguir algo melhor”.

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