O investidor Ray Dalio, conhecido por suas análises sobre economia, afirmou que as tarifas de importação, que são impostos cobrados sobre produtos que vêm de outros países, têm um papel importante além de apenas gerar receita para o governo. Ele acredita que essas tarifas podem ajudar os países a se prepararem para possíveis conflitos e guerras.
Recentemente, a administração Trump anunciou a implementação de tarifas recíprocas contra a China, a União Europeia e outras regiões, e Dalio comentou sobre isso em uma postagem no LinkedIn. Ele explicou que esses impostos podem diminuir a dependência das nações de cadeias de suprimento estrangeiras. Em suas palavras, isso pode ajudar a reduzir desequilíbrios econômicos e financeiros, que são preocupações significativas em tempos de tensões geopolíticas.
Dalio observou que, embora as tarifas possam tornar as empresas locais menos eficientes devido à interrupção das cadeias globais de suprimento, elas também as tornam mais resilientes, desde que os consumidores locais continuem a comprar seus produtos. Ele não especificou que a administração Trump impôs essas tarifas esperando por um conflito, mas quis enfatizar os efeitos gerais das tarifas e as razões pelas quais os governos podem decidir implementá-las.
Além disso, Dalio mencionou que a imposição de tarifas pode levar a um aumento na inflação dentro dos países que as adotam e, potencialmente, a uma estagflação global, que é uma combinação de estagnação econômica e inflação.
Em sua análise, Dalio também alertou sobre a necessidade urgente de tratar da dívida pública dos Estados Unidos, que está em um nível considerado alarmante, com a relação entre a dívida e o PIB em torno de 120%. Ele destacou que os desequilíbrios de produção, comércio e capital, especialmente em relação às dívidas, precisam ser resolvidos de alguma forma, já que essa situação é insustentável e pode trazer riscos tanto econômicos quanto geopolíticos.
Dalio reiterou suas preocupações sobre o estado econômico mundial, afirmando que há um risco crescente de conflitos e que as relações entre os Estados Unidos e a China estão levando a uma reconfiguração significativa da economia global. Este tema foi abordado em seu livro publicado em 2021, onde ele discute como a competição entre essas duas potências poderá trazer mudanças profundas nas dinâmicas globais.