Plano Diretor de Três Lagoas é aprovado após protesto e críticas

O advogado popular e doutorando em Geografia pela UFMS, Lucas Bocato, analisa a votação do Plano Diretor de Três Lagoas (MS), ocorrida no dia 23 de junho. Em artigo, ele descreve o processo como uma disputa entre a participação popular e os interesses do mercado imobiliário.
Bocato afirma que a noite da votação foi o ápice de uma caminhada de meses, marcada por reuniões e pelo envolvimento da população. Ele agradece a presença de cidadãos, líderes comunitários, estudantes e profissionais que lotaram a Câmara Municipal para acompanhar a sessão.
O autor destaca o voto contrário de quatro vereadores: Maria Diogo, Marco Silva, Davis Martinelli e Pedrinho Jr. Ele reconhece que, apesar de divergências ideológicas com alguns deles, a postura deles foi de coragem e responsabilidade ao se recusarem a aprovar o projeto sem restrições.
Bocato critica a postura da Prefeitura e seus aliados, que, segundo ele, ignoraram notas técnicas e pareceres acadêmicos para atender apenas aos interesses do mercado imobiliário. Ele classifica essa atitude como "negacionismo científico" e prova do "isolamento intelectual" do governo municipal.
O advogado descreve a cena no plenário como uma "fratura perversa" da realidade local. Ele afirma que, enquanto a maioria das pessoas presentes era de baixa renda, alguns poucos latifundiários e especuladores concentravam mais riqueza e terras do que todo o restante do público. Para Bocato, o voto da maioria dos vereadores foi um ato de "vassalagem jurídica" a esses grupos.
Ele critica a "democracia de conveniência" de parte do parlamento, que teria aprovado um texto com ilegalidades por meio de um "rolo compressor". Bocato compara a conduta de alguns vereadores à de "garotos mimados", incapazes de lidar com críticas técnicas e com a manifestação da população.
O autor defende o direito do povo de vaiar como uma ferramenta histórica e legítima de manifestação contra o arbítrio. Ele rebate a alegação de que o protesto não era democrático, afirmando que a vaia é uma forma de indignação contra a "ruína democrática".
Bocato conclui que o placar de 11 a 4 reflete a força temporária dos que aprovaram o projeto, mas que a ocupação do plenário pela população demonstra uma força permanente. Ele afirma que a votação não encerra o debate e que seguirão vigilantes na defesa da gestão democrática da cidade.


