Nos últimos meses, Donald Trump tem se manifestado contra grandes escritórios de advocacia, realizando ações que impactam suas operações. Algumas dessas firmas estão se adaptando às novas diretrizes da administração, enquanto outras optam por resistir.
As ordens executivas de Trump afetaram contratos governamentais dessas empresas, resultando na revogação de autorizações de segurança para alguns advogados e, em casos mais drásticos, na proibição de entrada em prédios federais, incluindo tribunais. Trump acusou esses escritórios, como Paul Weiss, Perkins Coie e Covington & Burling, de manipularem o sistema judicial e de terem alinhamentos com seus adversários políticos, além de promoverem iniciativas de diversidade que vão contra seu governo.
Em resposta, vários escritórios de advocacia processaram a administração, alegando que as ordens executivas visam restringir a liberdade de expressão e desestimular a relação de clientes com eles. Enquanto alguns decidiram colaborar com a administração para evitar represálias, outros estão desafiando as medidas na Justiça.
Por exemplo, no dia 14 de março, Trump assinou um pedido direcionado ao escritório Paul Weiss, criticando o advogado Mark Pomerantz por sua atuação em uma investigação sobre as finanças de Trump. A ordem buscava revogar as autorizações de segurança dos advogados do escritório. No entanto, poucos dias depois, Trump recuou e anunciou um acordo com Paul Weiss, no qual o escritório se comprometeu a realizar R$ 40 milhões em serviços pro bono para causas apoiadas pela administração e a encerrar suas políticas de diversidade e inclusão.
Por outro lado, em 6 de março, Trump mirou o escritório Perkins Coie, também alegando atuações “desonestas”. O escritório respondeu processando a administração, argumentando que a ordem violava direitos constitucionais, como a liberdade de expressão e o devido processo. Um juiz federal acatou o pedido de liminar e bloqueou parte da ordem.
Em um caso diferente, Trump assinou uma ordem no dia 25 de fevereiro visando suspender as autorizações de segurança dos advogados do escritório Covington & Burling, que é conhecido por sua atuação em antitruste. Essa ordem foi direcionada especialmente a advogados que participaram da investigação que envolveu Trump.
Outros escritórios, como Skadden, Arps, Slate, Meagher & Flom, optaram por aceitar um acordo com a administração, comprometendo-se a fornecer R$ 100 milhões em serviços pro bono e a adotar critérios de contratação que não discriminem com base em diversidade.
Por sua vez, o escritório Elias Law Group, mencionado nas ordens de Trump, defendeu sua posição afirmando que resistirá às pressões e continuará a lutar pela democracia em tribunal.
Além disso, Trump revogou autorizações de segurança do escritório Jenner & Block em março, mas a firma respondeu com um processo, resultando em uma decisão que impede a administração de agir contra eles até um julgamento final.
Outro escritório, WilmerHale, também recorreu à Justiça e obteve uma decisão que suspendeu as ações executivas do governo.
Finalmente, Trump anunciou em 2 de abril um acordo com o escritório Milbank, onde a firma concordou em realizar serviços pro bono significativos e a evitar práticas de contratação baseadas em critérios de diversidade.
O cenário mostra um embate entre a administração de Trump e alguns dos maiores escritórios de advocacia do país, destacando a complexa relação entre política, justiça e práticas advocatícias nos Estados Unidos.