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Mudança irrita, mas certeza absoluta é o absurdo

Por Diário de Goiânia · · 2 min de leitura
Mudança irrita, mas certeza absoluta é o absurdo
Mudança irrita, mas certeza absoluta é o absurdo

A psicóloga Cristiane Lang publicou um artigo no qual analisa a relação entre a resistência às mudanças e o perigo das certezas absolutas. O texto parte de uma frase atribuída a Voltaire para discutir como o ser humano tende a se apegar a convicções fixas para evitar o desconforto de rever suas próprias opiniões.

Lang afirma que a mudança incomoda porque desorganiza a rotina e os hábitos. As repetições diárias oferecem uma sensação de segurança, e quando algo novo surge, o incômodo é natural. O problema, segundo ela, ocorre quando esse incômodo se transforma em defesa intransigente de posições antigas.

Para a autora, a certeza absoluta age como uma arrogância silenciosa. Quem acredita que já compreendeu tudo sobre o mundo não escuta os outros, apenas espera a vez de falar. Essa postura, diz ela, classifica as pessoas em vez de conversar com elas. Nenhuma experiência individual é suficiente para medir todas as outras, e o mundo é vasto demais para caber na biografia de uma única pessoa.

O artigo ressalta que pessoas muito rígidas costumam ser frágeis diante de questionamentos. Uma única pergunta pode abalar convicções construídas sobre bases estreitas. A vida, no entanto, é especialista em desmentir certezas: o tempo passa e as opiniões envelhecem, algumas viram lembranças constrangedoras e outras se transformam em sabedoria quando há coragem para abandoná-las.

Mudar de ideia, segundo Lang, exige coragem e raramente recebe aplausos. Ela afirma que coerência não significa imobilidade, mas sim permanecer fiel à busca pela verdade, mesmo quando isso obriga a deixar antigas convicções. A natureza, lembra ela, aceita a transformação: as árvores perdem folhas, os rios mudam de curso e o mar nunca repete a mesma onda.

A autora conclui que a dúvida é fértil porque faz perguntas, e perguntas humanizam o pensamento. Entre o desconforto de mudar e a arrogância de ter certeza absoluta, ela sugere escolher o desconforto. A mudança pode irritar porque bagunça a casa, mas a certeza absoluta é absurda porque tranca as portas e faz acreditar que o pequeno quarto onde estamos é o universo inteiro.

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