Morre aos 53 anos irmão de Leide das Neves, símbolo do Césio 137
O irmão de Leide das Neves, símbolo da tragédia do césio-137 em Goiânia, morreu aos 53 anos. A informação foi divulgada pela Folha BV.
Leide das Neves é uma das vítimas mais conhecidas do acidente radioativo ocorrido em 1987, na capital de Goiás. Ela foi uma das pessoas que tiveram contato direto com a cápsula de césio-137, abandonada em um prédio do Instituto Goiano de Radioterapia.
A tragédia completa 37 anos em setembro de 2024. O acidente é considerado um dos maiores desastres com material radioativo do mundo. Centenas de pessoas foram contaminadas e quatro morreram nos primeiros meses após o contato com a substância.
Leide das Neves faleceu em 1994, aos 22 anos, vítima de complicações decorrentes da contaminação. Ela se tornou o rosto da tragédia, que chocou o Brasil e o mundo. O irmão, cujo nome não foi amplamente divulgado, também sofreu consequências do acidente.
A morte do irmão de Leide foi confirmada por familiares. Não há informações sobre a causa do óbito, mas sabe-se que ele também teve contato com o material radioativo na época do acidente. A família pediu privacidade neste momento de luto.
O acidente com o césio-137 ocorreu quando um aparelho de radioterapia foi roubado de um hospital abandonado. A cápsula com o material radioativo foi aberta por catadores de sucata, que não sabiam do perigo. O pó azul brilhante do césio foi manipulado por várias pessoas, espalhando a contaminação.
Relembre a tragédia do césio-137
Em setembro de 1987, um aparelho de radioterapia foi retirado do Instituto Goiano de Radioterapia, em Goiânia. O equipamento foi vendido a um ferro-velho. Ao tentar desmontá-lo, os funcionários do local encontraram uma cápsula com um pó azul que brilhava no escuro.
O material foi levado para a casa do dono do ferro-velho, Devair Ferreira. Ele distribuiu o pó para amigos e familiares. Muitas pessoas passaram mal nos dias seguintes, com sintomas de náusea, vômito e queimaduras na pele.
A contaminação foi descoberta dias depois, quando uma médica associou os sintomas ao contato com material radioativo. A Comissão Nacional de Energia Nuclear foi acionada e isolou a área. Mais de 100 mil pessoas foram examinadas para verificar contaminação.
Quatro pessoas morreram nos primeiros meses: Leide das Neves, de 22 anos; Maria Gabriela Ferreira, de 37 anos; Israel Ferreira dos Santos, de 22 anos; e Admilson Alves de Souza, de 28 anos. Outras dezenas de pessoas tiveram sequelas permanentes.
O material radioativo foi recolhido e armazenado em um depósito em Abadia de Goiás, na região metropolitana de Goiânia. O local ainda hoje é monitorado por autoridades nucleares. A tragédia deixou marcas profundas na cidade e em todos os envolvidos.


