Caça ao voto: candidatos pedem voto até para repórteres

Começou a temporada de caça ao voto no Brasil. Neste primeiro dia de campanha, os candidatos usaram as redes sociais e os tradicionais “adesivaços” para tentar garantir a eleição ou a reeleição. Em evento do PT, Soraya Thronicke (PSB) orientou os apoiadores sobre o que deve ser o foco de todos os postulantes: “A gente vai ter que colocar a mão na massa, até o último minuto pedindo mais um voto, mais um voto, mais um voto; passou na tua frente, respirou, pede voto”.
Nem os repórteres escaparam da abordagem dos candidatos. Após o discurso, Soraya Thronicke pediu apoio dos jornalistas para a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Luiza Ribeiro perguntou se, caso não tivessem candidato a deputada estadual, que aproveitassem a oportunidade e a escolhessem. Renan Contar (PL) também aproveitou e sacou o santinho, dizendo: “Agora que já pode pedir...”.
Dona Gilda, vice do candidato ao governo de MS pelo PT, Fábio Trad, teve um privilégio na campanha. Segundo Trad, ela foi a única candidata a vice a participar da gravação do programa eleitoral com Lula, na última sexta-feira (14). A agenda era restrita aos candidatos ao governo, mas Lula liberou a correligionária. “Gildinha sempre ganha de mim no buraco, na canastra, deixa ela entrar”.
Um garoto de pouco mais de 12 anos não se intimidou com o movimento de apoiadores que buscavam foto com o candidato à reeleição ao governo de MS, Eduardo Riedel (PP). No lançamento da campanha da deputada federal Viviane Luiza (PSDB), ele abriu o cooler e perguntou: “Governador, quer comprar um geladinho gourmet?”. Riedel sorriu, segurou o braço do garoto e respondeu com um “obrigado” antes de seguir na multidão, sem comprar o produto.
Durante a apresentação de Viviane Luiza como candidata a deputada federal, Reinaldo Azambuja lembrou que o número dela nas urnas é o mesmo que ele usou na disputa pela Câmara Federal em 2010, quando teve a segunda maior votação do Estado, com 122,2 mil votos. Ele pediu apoio para a candidata: “Quero pedir para vocês que repitam com o mesmo número, mas deem a ela uma votação maior do que eu tive”.
Rose Modesto (União Brasil), que disputou o governo de MS contra o grupo que hoje integra, falou sobre o reencontro com o ex-chefe Reinaldo Azambuja, agora como candidata a deputada federal. “Fui vice do Reinaldo, sei o valor que ele tem, o tanto que ele assumiu esse governo num momento difícil em 2015, porque eu estava lá ao lado como vice, e ele deixou o Mato Grosso do Sul, do ponto de vista fiscal, extremamente equilibrado”.
Rose afirmou que o objetivo é fazer uma campanha baseada no diálogo e avaliou que a disputa por uma vaga na Câmara dos Deputados será uma das mais difíceis dos últimos anos. “São poucas vagas. Aliás, está mais concorrido do que para deputado estadual. Parece que talvez nos últimos anos seja a eleição mais difícil para deputado federal”.
A prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP), passou a manhã adesivando carros para a campanha do marido, Lídio Lopes, que tenta a reeleição para deputado estadual. Ela não compareceu ao primeiro evento com Eduardo Riedel e Reinaldo Azambuja e enviou o secretário de Habitação, Cláudio Marques, para representá-la.
A equipe de marketing de Eduardo Riedel divulgou no site oficial as paradas de adesivaço do primeiro dia de campanha, mas sem endereço completo. As informações indicavam apenas as regiões Centro, Prosa e Bandeira, além do almoço no “12º Festival da Rapadura”. Para participar, era preciso descobrir o ponto exato ou procurar a movimentação pelas ruas.
O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) autorizou o governo de MS a manter a campanha institucional “Agosto Lilás”, de combate à violência contra a mulher, durante o período de restrição da publicidade oficial por causa das eleições. A Justiça Eleitoral entendeu que o material tem caráter educativo e informativo, com divulgação de canais de denúncia, medidas protetivas e serviços de acolhimento. As peças não podem trazer nomes, símbolos ou imagens que façam promoção pessoal de autoridades ou exaltem a gestão estadual.


