Brigada evita incêndios na Serra do Amolar com ações preventivas

A Brigada Alto Pantanal, mantida pelo Instituto Homem Pantaneiro (IHP), divulgou um balanço das atividades do primeiro semestre de 2026. O relatório aponta 15 operações de prevenção a incêndios no corredor de biodiversidade da Serra do Amolar, em Corumbá, e nenhum incêndio florestal combatido.
O resultado é atribuído às ações preventivas realizadas nos últimos meses. Elas incluíram a abertura e manutenção de mais de 33 quilômetros de aceiros, limpeza de áreas estratégicas e atividades com comunidades ribeirinhas e escolas rurais. As ações ocorreram em reservas particulares, propriedades rurais e comunidades da Rede Amolar (Rede de Proteção e Conservação da Serra do Amolar).
Segundo o IHP, o trabalho ganhou reforço em áreas habitadas por famílias pantaneiras. Em maio, a brigada atuou na região do Paraguai Mirim, onde vivem mais de 30 famílias. A equipe promoveu limpeza e redução da vegetação ao redor da escola local para diminuir os riscos de propagação do fogo durante o período de estiagem.
A Brigada Alto Pantanal também participou de treinamento de manejo integrado do fogo em áreas atingidas por grandes incêndios nos anos de 2020 e 2024. O chefe da brigada, Manoel Garcia, afirmou que o objetivo é reduzir os riscos antes do início da temporada crítica. "Trabalhamos para buscar um resultado prático para a conservação e apoio a famílias do Pantanal", disse.
O trabalho de prevenção ocorre em um cenário de preocupação com as condições climáticas previstas para o segundo semestre. Nota técnica do Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais) aponta mais de 80% de probabilidade de formação do El Niño entre agosto e outubro deste ano, com intensidade entre moderada e forte.
Segundo o órgão, a região central do País poderá enfrentar ondas de calor mais frequentes e baixa umidade relativa do ar. Essas condições elevam o risco de incêndios florestais no Pantanal. O cenário lembra os anos de 2023 e 2024, quando a combinação de calor extremo e seca favoreceu grandes queimadas no bioma.
A brigada conta com apoio logístico de embarcações, tratores e longos deslocamentos terrestres. As operações têm parceria de equipes do Prevfogo (Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais) do Ibama, de brigadas comunitárias e da Marinha do Brasil. Também recebe recursos de programas públicos e instituições privadas voltados à conservação ambiental.
Na Escola Municipal Rural de Educação Integral Paraguai Mirim e na Escola Municipal de Educação Integral Polo São Lourenço, os brigadistas realizaram ações preventivas e de apoio à comunidade. Na unidade do São Lourenço, além da limpeza do entorno, houve conserto emergencial do forro do prédio e apoio à implantação de uma horta com sistema de irrigação.
As duas escolas atendem comunidades que somam aproximadamente 197 moradores, entre eles 65 crianças e adolescentes. O presidente do IHP, Ângelo Rabelo, afirmou que o trabalho vai além do combate direto às chamas. Ele destacou que o apoio das comunidades e de parceiros como o Prevfogo é essencial para o sucesso das ações.
Além da proteção das comunidades, a manutenção e construção de aceiros favorecem a movimentação da fauna em situações de emergência. Monitoramentos realizados pelo IHP na Serra do Amolar identificaram ao menos 200 espécies de animais na região, incluindo dez classificadas em categorias mais severas de ameaça.


