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Acidente sem caixa-preta: investigação usa destroços e clima

Por Diário de Goiânia · · 2 min de leitura
Acidente sem caixa-preta: investigação usa destroços e clima
Destroços de avião em área de mata próximo ao Aeroporto Santa Maria (Foto: Juliano Almeida)

O Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos), órgão da Força Aérea Brasileira, foi acionado para apurar as circunstâncias da queda de um avião bimotor ocorrida na manhã da última sexta-feira (3), em área de mata próxima ao Aeroporto Santa Maria, em Campo Grande. O acidente deixou duas mortes: o piloto Henrique Martin e a pesquisadora alemã Lydia Theresia Möcklinghoff.

A aeronave, um modelo Neiva EMB-810D Seneca, não possuía caixa-preta. Segundo apuração no local, o modelo não é equipado com gravadores de voo, o que não configura irregularidade. Em aeronaves menores, essa ausência é comum e faz com que a investigação dependa de outras fontes de informação.

De acordo com dados do Cenipa, quando há caixas-pretas, os equipamentos são retirados e enviados a laboratórios especializados, onde são extraídos dados como altitude, velocidade, trajetória e comunicações da cabine. Sem esses dispositivos, a apuração se apoia na análise dos destroços, registros de manutenção, dados meteorológicos, GPS e depoimentos de testemunhas e controladores de tráfego aéreo.

O trabalho segue protocolo técnico dividido em fases e começa ainda no local do acidente. As equipes realizam o registro completo da área com fotos, vídeos, medições e mapeamento da posição dos destroços. Peças críticas, como motores, hélices e instrumentos, podem ser recolhidas para análise em laboratório ou armazenadas até o fim dos exames.

A partir dessas evidências, os investigadores reconstroem a dinâmica do acidente considerando três eixos principais: fator material, ligado a possíveis falhas mecânicas; fator humano, que envolve experiência, saúde e decisões do piloto; e fator operacional e ambiental, relacionado ao clima, visibilidade e procedimentos de voo.

Segundo o delegado Sam Suzumura, da Polícia Civil, uma das hipóteses iniciais é de que o mau tempo possa ter contribuído para o acidente, mas a conclusão depende da análise técnica da aeronave. Ele citou a possibilidade de que o nevoeiro tenha dificultado a orientação do piloto logo após a decolagem, mas reforçou que a avaliação ainda é preliminar.

As investigações do Cenipa ocorrem de forma paralela às apurações policiais, podendo haver troca de informações, mas com objetivos distintos. Enquanto a polícia busca eventuais responsabilidades, o Cenipa atua na prevenção. O resultado é o Relatório Final de Investigação, que apresenta os fatores que contribuíram para o acidente e traz recomendações de segurança, sem identificação das pessoas envolvidas.

Mesmo sem caixa-preta, o Cenipa cruza dados técnicos, operacionais e humanos para reconstituir o voo. As investigações não têm prazo fixo e geralmente levam de um a dois anos para serem concluídas. Após o término, os destroços das aeronaves são devolvidos aos proprietários.

Em 10 anos, Mato Grosso do Sul registrou 230 ocorrências aéreas, com 24 mortes. O estado já contabilizou 18 acidentes aéreos neste ano.

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