Motorista de Aplicativo Denuncia Assédio em Conversas no Chat da 99
Um motorista de aplicativo e influenciador, Fabricio Miranda, de Goiânia, denunciou casos de assédio sexual que ele recebeu através do chat da plataforma 99. Fabricio, que compartilhou prints das mensagens em suas redes sociais, destacou que os contatos deveriam servir para facilitar a comunicação entre motoristas e passageiros, mas têm sido utilizados de maneira inadequada.
Entre as mensagens, alguns usuários se mostraram extremamente respeitosos. Um deles perguntou: “Bora meter?”, enquanto o motorista pedia que respeitassem seu trabalho. Em outra abordagem, um passageiro ofereceu R$ 400 por relações sexuais, assegurando que seria tudo em “sigilo total”. O motorista optou por não divulgar sua resposta a essa proposta.
Em uma das interações, um usuário enviou a pergunta: “Solteiro?”, a qual foi seguida por outra investida sexual com a frase sugestiva: “Deixa mma”, indicando uma proposta de encontro rápido. O cenário ficou ainda mais inusitado quando um passageiro perguntou se poderia ir de cueca no carro, argumentando que sua roupa estava molhada de uma festa. O motorista, por sua vez, respondeu abruptamente: “Vai de cueca no inferno”.
Em outro momento, houve mais uma proposta de dinheiro por atos sexuais, levando o motorista a reconhecer que aqueles contatos eram recorrentes, perguntando: “De novo, mano. Tem o que fazer não?”
Fabricio Miranda, ao compartilhar essas situações, fez um apelo para que haja um repúdio mais forte contra esse tipo de assédio. Ele comentou que, quando os motoristas rejeitam propostas desse tipo, os passageiros frequentemente cancelam a corrida e continuam com o mesmo comportamento indevido em relação a outros motoristas.
Ele criticou a falta de ações efetivas por parte da plataforma em coibir essas práticas, afirmando que se a situação fosse invertida, os motoristas seriam rapidamente banidos. A reportagem tentou entrar em contato com a 99 para entender como a empresa lida com esses incidentes e se há monitoramento das conversas e penalizações para comportamentos inadequados.
A resposta da 99 foi que a empresa possui uma política de “tolerância zero” em casos de assédio e violência sexual. Eles destacaram que investem em recursos para proteger motoristas e passageiros, incluindo um botão de emergência que pode acionar a polícia e uma Central de Atendimento 24 horas para oferecer suporte.
Além disso, a 99 oferece informações que ajudam motoristas a tomar decisões seguras sobre suas corridas, e implementou o Selo de Verificação 99, que valida a documentação dos passageiros e as avaliações feitas por outros motoristas. Para aumentar a segurança das motoristas mulheres, a empresa criou a opção “99 Mulher”, permitindo que elas aceitem apenas corridas de passageiras.
A situação levantada por Fabricio Miranda expõe a necessidade urgente de uma comunicação mais respeitosa nas plataformas de mobilidade e de ações efetivas para proteger os profissionais que trabalham nesses serviços.