14/02/2026
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Lideranças do agro em Goiás priorizam logística e energia

No evento “Vozes do Agro”, realizado na última terça-feira em Goiânia, responsáveis pelo agronegócio em Goiás destacaram que investimentos em logística e energia são fundamentais para impulsionar o desenvolvimento do setor. Esse encontro, organizado por uma publicação de referência do agronegócio, reuniu produtores, empresários, pesquisadores e líderes de entidades do setor.

As falas dos participantes refletiram preocupações em relação à infraestrutura. As deficiências nas rodovias, ferrovias, portos e locais de armazenamento foram apontadas como obstáculos frequentes, que dificultam o escoamento da produção. As críticas também se estenderam ao alto custo e à falta de energia disponível, questões que se tornaram prioridade nas discussões sobre investimentos, tanto públicos quanto privados.

Um participante ressaltou que Goiás é estratégica para a produção agrícola do país, mas enfrenta desafios para conectar-se aos portos, essenciais para a exportação. As ferrovias, que poderiam facilitar o transporte de cargas, ainda não avançaram. Outro produtor sugeriu que é vital estimular investimentos em diferentes modalidades de transporte, incluindo ferrovias e hidrovias.

A dinâmica da edição em Goiânia seguiu o modelo de eventos anteriores, incentivando um espaço para debates sem a identificação dos participantes, o que visa trazer maior liberdade nas opiniões expressadas.

Durante a discussão sobre a infraestrutura de transporte, foi destacado que Goiás, apesar de ser um grande produtor de commodities como soja e milho, enfrenta problemas que afetam também outras áreas do agronegócio, como a citricultura. Um produtor dessa área mencionou que as dificuldades no transporte de cargas perecíveis representam um risco significativo de perdas durante a logística.

Além das questões de transporte, os debates também abordaram a situação da energia no estado. Os participantes relataram que tanto o custo elevado quanto a insuficiência na oferta de energia prejudicam não apenas pequenos produtores, mas também empresas e cooperativas. Um comentário destacou que muitas usinas de cana-de-açúcar têm investido em cogeração de energia, mas enfrentam dificuldades que as levam a recorrer a geradores a diesel, afetando a sustentabilidade dos projetos.

As conversas foram organizadas em mesas com grupos de oito a dez pessoas, onde os participantes não apenas discutiram os desafios do agronegócio, mas também buscaram soluções. Uma das sugestões mais notáveis foi aumentar os investimentos na produção de biocombustíveis, como etanol de cana e milho, que já são cultivados na região. A implementação de soluções sustentáveis poderia, segundo um dos debatedores, colocar Goiás em uma posição de destaque na agroindústria.

Os participantes também notaram que o setor agrícola enfrenta desafios de comunicação, especialmente em relação aos seus aspectos sustentáveis. Um dos debatedores enfatizou a importância de mostrar o que realmente acontece na agricultura para combater preconceitos e garantir uma imagem mais positiva do setor.

O evento “Vozes do Agro” se firmou como um espaço vital para discutir e buscar soluções para os desafios do agronegócio em Goiás, reforçando a importância da colaboração entre diferentes atores do setor.