SP tem 1.690 km de trânsito antes do jogo do Brasil
O paulistano que não foi dispensado do trabalho ou conseguiu sair mais cedo por causa do jogo da seleção brasileira nesta quarta-feira (24) sofreu no caminho de volta para casa. De acordo com a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), às 18h, a lentidão na cidade de São Paulo chegou a 1.690 km.
A marca é a maior desde março de 2023, quando a companhia, em parceria com o aplicativo Waze, passou a calcular o trânsito em 20 mil km de ruas e avenidas da capital. Até então, o recorde desde a mudança era de 9 de agosto de 2024, às 19h, com 1.510 km de vias congestionadas.
O maior registro na história foi em 5 de setembro de 2019, uma quinta-feira, antes da pandemia que esvaziaria as ruas. Às 18h30 daquele dia, houve 1.902 km de lentidão. Entretanto, a medição era outra. A maior marca de 2026 foi registrada às 18h do dia 15 de maio, uma sexta-feira, com 1.348 km de lentidão.
O engarrafamento foi escalonando nesta quarta-feira. Às 16h30, fora do horário de pico, já havia 1.171 km de vias congestionadas. O número subiu para 1.552 km uma hora depois. Começou a cair às 18h30, (1.304 km). Às 17h30, a marginal Tietê era a via mais congestionada. Na zona oeste, a lentidão na pista expressa chegava a 30,7 km. A marginal Pinheiros registrava 26,6 km.
Na avenida 23 de Maio, que liga o centro à zona sul da cidade, o trânsito era de 11,8 km, principalmente no sentido bairro neste mesmo horário. Mesmo com a melhora, muita gente não viu o atacante Vinícius Júnior fazer 1 a 0 para o Brasil, logo aos 6 minutos de partida. Às 19h, quando o confronto contra a Escócia começou, ainda havia 890 km de lentidão.
A chuva intermitente desde as primeiras horas do dia e o fato de as pessoas terem sido liberadas mais cedo do trabalho são apontados como causas na piora no trânsito. O rodízio para veículos com placas final 5 e 6 foi liberado na tarde desta quarta, exatamente para facilitar a volta do torcedor para casa antes do jogo. O que também pode ter colocado mais carros nas ruas. Normalmente, o rodízio restringe a circulação no anel viário da cidade nos períodos da manhã, das 7h às 10h, e da tarde, das 17h às 20h.
Pela manhã, a chuva já tinha travado o trânsito. Em 24 horas, foram registrados 94 mm de precipitação, o que corresponde a mais da metade da chuva prevista para o mês inteiro, de acordo com a Defesa Civil. Às 8h30, o congestionamento chegou a 671 km. Na quarta-feira da semana anterior, no mesmo horário, a capital paulista tinha 454 km de vias travadas.
De acordo com o Corpo de Bombeiros, houve quatro chamados para queda de árvores na região metropolitana desde o início da madrugada. A chuva também causou o desabamento de um cortiço no Cangaíba, zona leste de São Paulo. Um homem morreu e outras duas pessoas ficaram feridas pelos escombros. Segundo os bombeiros, 35 pessoas moravam no local, na rua Engenheiro Costa Ourique.
No bairro Cidade Dutra, na zona sul, uma enxurrada atingiu cerca de dez moradias após o extravasamento de águas pluviais por uma escadaria de acesso a uma viela. Os fundos de uma casa desabou parcialmente e outras três moradias apresentaram risco iminente de desabamento. Aproximadamente 60 moradores ficaram desalojados, segundo a Defesa Civil. A instabilidade deve continuar ao menos até sexta-feira (26) na região metropolitana de São Paulo, por causa de um sistema frontal no litoral do estado.
Mesmo com chuva persistente em São Paulo e região, os alertas emergenciais da Defesa Civil continuam suspensos. A medida foi tomada após o sistema sofrer um ataque hacker e disparar uma notificação falsa para diversas regiões do país. A suspensão foi determinada pela Defesa Civil Nacional, órgão responsável pela gestão da plataforma, enquanto estão em andamento as investigações e o aprimoramento da segurança da ferramenta. A Defesa Civil estadual afirma que, em meio a chuva que atinge São Paulo, manteve o monitoramento das condições meteorológicas e utilizou seus canais oficiais de comunicação para alertar e orientar a população.

