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Salário mínimo de R$ 7 mil: realidade em breve?

Por Diário de Goiânia · · 2 min de leitura

A possibilidade de um salário mínimo de aproximadamente R$ 7 mil voltou ao centro das discussões no Piauí. A dirigente do Partido da Causa Operária (PCO), Lourdes Melo, defendeu a adoção de um piso salarial nesse patamar. Pré-candidata ao Governo do Estado, ela afirmou que a valorização dos trabalhadores será uma das principais bandeiras de sua campanha para as eleições.

Durante declaração pública, Lourdes Melo afirmou que defende um salário mínimo baseado em cerca de R$ 7 mil para os trabalhadores brasileiros. Segundo a dirigente, a medida faz parte de um conjunto de propostas voltadas para questões sociais e valorização da renda da população.

O valor mencionado está próximo da estimativa mais recente do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). De acordo com levantamento divulgado pela entidade, o salário mínimo necessário para suprir as necessidades básicas de uma família brasileira deveria ser de R$ 7.106,83.

Atualmente, o salário mínimo nacional está fixado em R$ 1.621, conforme o Decreto nº 12.797/2025. O valor representa um reajuste de 6,79% em relação aos R$ 1.518 pagos anteriormente. Pelos cálculos do Dieese, existe uma diferença de R$ 5.485,83 entre o piso nacional em vigor e o chamado salário mínimo ideal. Isso significa que um trabalhador que recebe o salário mínimo precisaria ganhar cerca de 4,38 vezes mais para cobrir despesas consideradas essenciais.

O reajuste anual do salário mínimo segue a política de valorização prevista na Lei nº 14.663/2023. A fórmula considera a inflação acumulada nos 12 meses anteriores, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), somada ao crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos antes, limitado a 2,5%. Para a definição do valor de 2026 foram considerados 4,4% de inflação e 2,5% de crescimento do PIB de 2024, resultando em um reajuste de aproximadamente 6,8%.

Caso a regra anterior ainda estivesse em vigor, permitindo o repasse integral do crescimento econômico, o salário mínimo deste ano teria sido fixado em R$ 1.636, valor R$ 15 superior ao atual.

O Dieese calcula o salário mínimo necessário com base na determinação constitucional de que o rendimento do trabalhador deve ser suficiente para custear alimentação, moradia, saúde, educação, transporte, vestuário, higiene, lazer e previdência para toda a família. Para chegar ao resultado, a entidade utiliza como referência o valor da cesta básica mais cara do país e adiciona os demais custos considerados essenciais. Em dezembro de 2025, a cesta básica de São Paulo foi estimada em R$ 845,95, consumindo mais de 60% do salário mínimo líquido daquele período.

Segundo o Dieese, a grande diferença entre o piso oficial e o valor considerado necessário tem origem histórica. A entidade aponta que políticas de arrocho salarial adotadas durante o regime militar reduziram significativamente o poder de compra dos trabalhadores ao longo das décadas.

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