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PF busca bens de Vorcaro nos EUA e Europa

Por Diário de Goiânia · · 3 min de leitura

A Polícia Federal (PF) acionou a Interpol para tentar localizar bens e ativos do empresário Daniel Vorcaro na América do Norte e na Europa. A medida foi confirmada por investigadores ouvidos pela BBC News Brasil em caráter reservado.

Segundo a PF, a solicitação foi feita por meio de uma ferramenta conhecida como "Silver Notice" (Alerta Prata). Trata-se de um mecanismo da Interpol voltado ao rastreamento internacional de bens ligados a pessoas investigadas ou condenadas por crimes financeiros.

A expectativa entre os investigadores é de que Vorcaro tenha um patrimônio milionário espalhado por diversos países. O colapso do grupo comandado por ele, que inclui pelo menos três instituições financeiras, deixou um rombo de R$ 52 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC).

A notificação pede que autoridades policiais dos países-alvo informem a existência de imóveis, empresas, contas bancárias, embarcações, aeronaves ou outros ativos registrados em nome do investigado. A PF suspeita que parte do patrimônio tenha sido pulverizada em propriedades e fundos de investimento, inclusive em paraísos fiscais.

O temor da PF é que Vorcaro consiga blindar esse patrimônio ao longo do tempo. A BBC News Brasil enviou perguntas à defesa de Daniel Vorcaro, mas não recebeu respostas.

Patrimônio e investigação

O paradeiro dos bens de Vorcaro tornou-se um dos principais objetivos da PF desde a Operação Compliance Zero, deflagrada em novembro de 2025. Desde que assumiu o comando do Banco Master, em 2019, Vorcaro ficou conhecido por um padrão de vida luxuoso.

Documentos apontam que, em 2021, ele realizou uma festa de aniversário para a filha em uma ilha particular nas Bahamas ao custo de aproximadamente R$ 5 milhões. Em setembro de 2023, fez uma festa em Taormina, na Sicília, e desembolsou R$ 363,2 milhões com produção, acomodações e artistas como Coldplay e Michael Bublé.

Dados divulgados durante a CPMI do INSS mostraram que, em 2024, Vorcaro tinha um patrimônio de R$ 2,4 bilhões declarados à Receita Federal. Investigadores avaliam que os bens podem ser superiores a esse valor.

Um exemplo é uma mansão avaliada em R$ 180 milhões na Flórida, que teria sido alvo de uma tentativa de venda por parte do pai do banqueiro, Henrique Vorcaro, também investigado.

Colaboração premiada

A falta de informações sobre os bens foi um dos principais pontos que barrou o avanço de um acordo de colaboração premiada entre Vorcaro, a PF e a Procuradoria-Geral da República (PGR). Durante as negociações, Vorcaro não teria colaborado fornecendo a localização de partes de seu patrimônio. Sem consenso, a colaboração não avançou e ele continua preso em Brasília.

A difusão da "Silver Notice" é a segunda frente de investigação sobre o patrimônio de Vorcaro no exterior. Em abril, a Justiça dos Estados Unidos autorizou o liquidante do banco a consultar instituições financeiras norte-americanas em busca de ativos vinculados ao banqueiro.

Cronologia do caso

O caso eclodiu em 18 de novembro de 2025, quando a PF deflagrou a primeira fase da Operação Compliance Zero. Vorcaro foi preso pela primeira vez e o Banco Central anunciou a liquidação do Master e de outras duas instituições financeiras. Ele foi solto no final de novembro, mas preso novamente em março de 2026, durante a terceira fase da operação.

A investigação apura supostos crimes contra o sistema financeiro nacional envolvendo a tentativa de venda de ativos do Master para o Banco de Brasília (BRB) por R$ 12 bilhões. A PF identificou suspeitas de que o Master mantinha um esquema de captação irregular de investimentos feitos por Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS).

Em depoimentos, a defesa do banqueiro nega o cometimento desses crimes. As investigações também alcançaram suas supostas relações com políticos e integrantes do Judiciário.

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