Pausa para hidratação vira polêmica na Copa do Mundo
A Fifa anunciou que todos os jogos da Copa do Mundo de 2026 teriam duas pausas obrigatórias para hidratação. A decisão parecia correta, já que o torneio é disputado na América do Norte, em cidades onde o calor costuma bater 40 graus. No entanto, a proposta está gerando polêmicas entre analistas, jogadores, treinadores e torcedores.
A primeira polêmica é sobre a real necessidade da pausa em estádios modernos, como os de Houston e Dallas, que contam com sistemas climatizados. Em algumas cidades, especialmente no Canadá, o tempo não estava tão quente. O exemplo foi o jogo entre Gana e Panamá, em Toronto, onde a temperatura teve mínima de 13°C e máxima de 21°C. O atacante Cecilio Waterman, do Panamá, jogou de mangas longas.
Outro questionamento foi sobre o uso publicitário das pausas. Cada partida passou a oferecer seis minutos extras para publicidade. Em uma Copa com 104 jogos, isso representa mais de dez horas adicionais de espaço comercial. As interrupções podem gerar mais de US$ 250 milhões em publicidade apenas em jogos nos Estados Unidos. O lateral canadense Alistair Johnston disse que a pausa para hidratação virou uma pausa comercial. Virgil van Dijk, capitão da Holanda, defendeu que a regra seja aplicada apenas em casos de real necessidade.
As pausas obrigatórias também mudaram a dinâmica dos jogos. Treinadores passaram a contar com dois momentos adicionais para interferir diretamente no jogo. Levantamento da Driblab mostra que 78,6% das interrupções nas primeiras 28 partidas alteraram o fluxo do jogo. Em 56 pausas analisadas, houve 24 mudanças de tendência quando a bola voltou a rolar. Casos como Inglaterra x Croácia e Brasil x Marrocos ilustram o fenômeno.
A novidade divide opiniões. Didier Deschamps critica a medida por interromper o ritmo do jogo. Já Zlatko Dalić a vê como mais uma adaptação das regras. A FIFA considera o saldo positivo e entende que as pausas ajudam a preservar a condição física dos atletas.
A comparação com esportes como basquete e futebol americano não é exagerada. As interrupções transformaram cada jogo em uma sequência de blocos menores. Deschamps observou que os jogos passaram a ter "quatro quartos". Com interrupções aos 22 minutos do primeiro tempo e aos 67 do segundo, cada partida passou a ser disputada em blocos de aproximadamente 20 minutos.
Marcelo Bielsa, técnico do Uruguai, jogou uma reflexão sobre a mudança. Ele disse que jogar quatro tempos em vez de dois altera a forma como, culturalmente, aprendemos a interpretar o futebol. Bielsa afirmou que o aumento no número de gols pode até ser bem-vindo, mas essa mudança não acrescenta nada e tira muita coisa.