Nuno Leal Maia critica Globo e descarta novelas
O ator Nuno Leal Maia, de 78 anos, descartou um retorno às novelas e criticou abertamente a TV Globo. Em entrevista ao Estadão, ele afirmou que a emissora “é burra pra caramba” e que “jogou fora todos os atores”. Maia está em cartaz em São Paulo com a peça ‘Meno Male’, comédia política escrita por Juca de Oliveira.
A peça, que estreou há 40 anos, ganhou uma nova montagem no Teatro Renaissance. Maia interpreta o taxista italiano Nicola, um personagem inédito em sua carreira. “Não vi a primeira versão de otário, de burro. Eu gravava muito na época”, disse o ator, que não subia aos palcos desde 2012, quando atuou em ‘O Abajur Lilás’, de Plínio Marcos.
A trama de ‘Meno Male’ acompanha um jovem político corrupto, interpretado por Joaquim Lopes, que se envolve com a neta do taxista após colidir com o táxi dele. O elenco conta ainda com Suzy Rêgo, Marcelo Faria, Antoniela Canto e Naiara de Castro. A direção é de Léo Stefanini, que substituiu Bibi Ferreira, responsável pela montagem original.
O texto passou por atualizações. Há quatro décadas, o alvo principal de Juca de Oliveira era o PMDB e nomes como Fernando Henrique Cardoso e José Serra. Maia, que foi aluno de FHC no curso de Ciências Sociais da USP, comentou o atual cenário político. “Bolsonaro veio para tacar fogo em tudo. O PT, que também gosta de uma confusão, puxou a coisa para si”, afirmou, dizendo não gostar de nenhum dos lados.
Formado em Cinema pela ECA-USP, Maia considera a sétima arte sua grande paixão. Atuou em clássicos como ‘A Dama do Lotação’ (1978), ao lado de Sônia Braga, e em ‘O Bem Dotado – O Homem de Itu’ (1978). Sobre a novela ‘A Gata Comeu’, sucesso de 1985, ele disse não achar que cenas de agressão entre os personagens devam ser cortadas de reprises. “Naquela época, a cabeça era outra.”
A última novela de Maia na Globo foi ‘Amor, Eterno Amor’, em 2012. “Cortavam a maioria das minhas cenas. Me aborreceu”, disse. Ele criticou a emissora por ter rompido contratos com atores veteranos e apostado em influenciadores digitais. “Depois que o Boni saiu, ainda ficou o espírito dele lá por certo tempo. Quando o Ricardo Waddington assumiu, mudou tudo”, concluiu.